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A Vingança! 


Capítulo 12: O Poder Único!



Shinta vê um estranho brilho iluminar Katsumo por momentos. Seria uma ilusão de óptica?



- Mas que raio? O que foi aquilo? – resmunga ele, intrigado!



Lentamente, Katsumo começa a levantar-se! Shinta fica impressionado! Como era aquilo possível? Katsumo estava novamente de pé, com um brilho nos olhos…o brilho da vitória!



- Não, não pode ser! Tu devias estar morto, Katsumo!  - grita Shinta, espantado!



Katsumo olha-o nos olhos. Sorrindo, responde:



- Shinta, lamento imenso…mas o teu reinado de Destruição, Caos e Morte vai ter de acabar!



- Estás a falar a sério? Nunca! Mwa ah ah ah ah ah! Ouviste Katsumo? NUNCA! – berrou Shinta, completamente enraivecido.



Shinta e Katsumo lançam-se ferozes um contra o outro. Entre pontapés e socos, cada um dava tudo por tudo. Estavam completamente equilibrados! A dado momento, Katsumo pensa:



- “Ele tem que perder, tenho que aplicar-lhe o golpe final antes que ele se autodestrua!”



Por sua vez, Shinta decide usar a sua arma secreta! O seu rival estava demasiado forte! Era preciso acabar com ele de uma vez por todas!



- Agora chega, Katsumo! Não sei onde foste arranjar tanto poder, mas agora, ACABOU! – exclamou Shinta, abrindo os braços e começando a entoar um estranho mantra, fazendo toda a Terra começar a tremer!



- Eu invoco TODO O MEU PODER! Prepara-te para morrer, Katsumo Hoshi! Mwa wa wa wa wa! – grita Shinta.



- É agora ou nunca! Shinta! Este é pelo Arun, pela Shian, pelo meu irmão e por todas as outras vítimas da tua maldade!! – grita Katsumo, completamente enraivecido!



Katsumo e Shinta colocam-se em posição de combate. Depois de algum tempo concentrados, lançam-se ao ataque, projectando toda a sua energia num soco com o punho direito! A energia de Katsumo continha os poderes de Ataque [Arun], Defesa [Shian] e Alma [Kaji]. A energia do Shinta tinha todo o poder maléfico produzido pelas mortes que ele tinha cometido! Quando os dois socos se chocam…




CAADABBBOOOOOOOOOOUUUUUUUMMM!!!!!!!!!



Ouve-se uma enorme explosão!!



Passados alguns segundos, segundos esses que pareceram durar uma eternidade…



…o silêncio…



- Puf, puf… - Katsumo estava esgotado!



- Puf, puf….Katsumo…perdoa-me…! - Shinta revira os olhos e cai, derrotado…



- Shinta… - Hao e Katsumo aproximam-se dele, que começava a esfumar-se…



De repente, ouve-se um enorme trovão, a chuva pára finalmente e as nuvens desaparecem. Começa um novo e radiante dia. Os espíritos de Shian, Arun e Kaji acenam a Katsumo e despedem-se dele:



- Muito obrigado Katsumo! – responde Shian, sorrindo.



Katsumo começa a chorar, enquanto o espírito de Shian começa a desaparecer lentamente.



Arun aproxima-se de Katsumo e a rir-se diz:



- Ficaste caidinho por ela, não foi? Um dia voltarás a vê-la! Ah ah ah ah! Treina muito! Um dia voltaremos a combater, rapaz! Ah ah ah! – Arun despede-se feliz e também ele desaparece lentamente.



Katsumo levanta o polegar e responde:



- Arun, está combinado!



Kaji aproxima-se de Katsumo. Abraçam-se. Katsumo diz:



- Meu irmão…eu…nunca te esquecerei! NUNCA!!!



E Kaji responde:



- Eu estarei sempre contigo, Katsumo! Estarei sempre vivo no teu coração!



E assim, Kaji Hosji desaparece lentamente, juntando-se aos restantes, numa intensa Luz Dourada, que desce do céu…ao recolher os três espíritos, ela extingue-se…



- Finalmente…acabou tudo finalmente… - suspirou Katsumo, deitando-se no chão.



Hao aproxima-se dele e preparando umas ervas, dá-lhe a comer:



- Toma, vai mastigando estas folhas, elas vão ajudar-te a recuperar as forças…ficarás com as tuas forças ao nível mínimo, mas será o suficiente por agora…



Katsumo começa a comer e sorri para Hao Fang. Estava esgotado. Hao sorriu para ele e disse:



- Hoje tiveste o mais duro teste que a vida te podia colocar pela frente, Katsumo! No entanto, conseguiste superá-lo na perfeição! Estou orgulhoso de ti!



- Eu não consegui vencer sozinho! Precisei da ajuda de outras pessoas! Só com o poder do meu irmão, do Arun e da Shian, todos juntos, é que consegui! – respondeu Katsumo, sentindo-se ensonado.



Hao prosseguiu:



- Não sejas modesto! Tu conseguiste vencer com o grande poder que tens no teu coração! Shinta obteve todo aquele poder porque fez um acordo com a própria Morte! Tu, pelo contrário, tornaste-te um grande guerreiro, por mérito próprio! Estás agora pronto para iniciar uma nova jornada na tua vida! Acredito que vais ter surpresas muito agradáveis, Katsumo! Vá, agora descansa, que bem precisas!



Ao ouvir isto, Katsumo adormece, completamente esgotado. Foram muitas as emoções que vivera nos últimos dias. Hao pega nele e leva-o para o quarto que partilhavam.



*Dois dias depois…*



- Hummm? Onde estou? – Katsumo acorda, meio ensonado, com o chilrear de pássaros que estavam à janela.



- Ah! Vejo que acordaste! Bom dia Katsumo! – respondeu Hao, com um grande sorriso.



- Estou cheio de fome! Vamos comer algo? – pergunta Katsumo, rindo-se envergonhado.



- Claro que sim! Está muita gente à nossa espera, mas podem aguardar mais um pouco! – declara Hao, entre risos.



Assim, eu e o Hao partimos para o local onde decorreu o torneio. Pelo caminho cruzamo-nos com imensas pessoas que tinham estado entre participantes e público. A dada altura, já a meio do café da manhã, o árbitro apareceu! Felicíssimo, aguardou que acabássemos de comer e depois foi comigo e com o Hao até ao centro da arena e anunciou feliz:



- Senhoras e senhores! O misterioso X foi vencido! Katsumo Hoshi e Hao Fang conseguiram derrotá-lo!



O público explodiu em êxtase com toda a gente a gritar e a aplaudir!



- Viva! Katsumo! Viva! Hao! Viva!



O árbitro pega no troféu [entretanto recuperado por Hao] e declara:



- É com enorme orgulho que entrego este troféu a Katsumo Hoshi, por extraordinários dons de combate, mestria e coragem!



Toda a gente começa a bater palmas e a ovacionar-me! Eu olho para Hao Fang e este acena-me com a cabeça. Eu pego no troféu e levanto-o o mais que posso, sorrindo feliz e dizendo:



- Dedico esta vitória a todas as pessoas que perderam a vida neste torneio!



 Toda a gente bate ainda mais palmas e o público delira, gritando o meu nome….



*Hong Kong, na actualidade*



*[Nota do Autor - No conto, estamos em Agosto de 2018]



- E pronto! Foi assim que tudo aconteceu! – respondi, sorrindo levemente.



Quando dei por mim, tinha já uma pequena multidão a escutar-me atentamente. O empregado do café olhou para mim e limpando os olhos, disse:



- Eu nem sei o que dizer…



Ri-me.



- Bem, já vos roubei imenso tempo…está na hora de regressar à escola…! Adeus!



Toda a gente afasta-se impressionada, para deixar-me passar. Via na cara delas o quanto impressionadas estavam com o relato que eu tinha feito. Estava eu a chegar à escola quando me deparo com uma rapariga encostada à porta. Aproximo-me.



- Olá boa tarde! O senhor trabalha nesta academia? Eu procuro o senhor Katsumo Hoshi! – respondeu a rapariga, com um sorriso.



Surpreso, respondi:



- Bem, o Katsumo sou eu, menina…?



- Cassidy! Eu sou a Cassidy! Mandaram-me entregar-lhe isto! – a rapariga entrega-me um envelope que

vinha endereçado a mim.



Admirado, olho para o envelope, enquanto Cassidy começa a ir-se embora.



- Muito obrigado Cassidy! – gritei.



Ela vira-se para trás e sorrindo responde:



- De nada! Adeus!



Entrei na academia. Hao veio ter comigo e mostrei-lhe o envelope. Curiosos, abrimos a carta! Era do meu mestre e dizia:




Caro
Katsumo,





Já
soube que tens tido muitas aventuras! Que tal se viesses até cá para me
mostrares aquilo de que és capaz? Se te mostrares à altura, poderei finalmente
ensinar-te as minhas técnicas secretas!





Um
abraço e até breve,




Sensei



Virei-me espantado para Hao! Este sorriu e disse:



- Faz o que o teu coração desejar! És livre de voltares aqui sempre que quiseres!



*Alguns dias depois…*




"Informamos os senhores passageiros que o voo 210 com destino a Kanto, no Japão, levantará voo dentro de minutos! Obrigado!"



E assim, 10 minutos mais tarde, parti de regresso ao Japão, tendo por companhia um pôr de sol magnífico.








the-end




A Vingança! Capítulo 11 ~ O Reencontro! 



Alguns minutos mais tarde…



- Hummm..onde estou? – pergunta Shinta.



- Bem-vindo de volta! Mwa wa wa wa! – responde a voz.



- Já me lembro…aquele golpe…porque não morri? Porque continuo vivo?



- O meu ataque só não te matou porque eu não queria matar-te…quis apenas demonstrar-te um pouco do meu poder…



- Caramba…é impressionante! O teu poder…! Eu…eu tenho que o ter! Com ele, eu derrotarei Katsumo!



- Muito bem, por mim…podes ter o meu poder…apenas tens de me dar algo em troca...!  - sussurra a voz.



Shinta responde de imediato:



- Dou-te o que tu quiseres!



A voz ri-se divertida e afirma:



- Mwa wa wa wa! Óptimo! Eu quero a tua alma, Shinta!!



- E dás-me o poder absoluto? Se eu te der? – pergunta Shinta, completamente desvairado!



- Sim Shinta, serás o homem mais forte deste Mundo! – responde a voz.



- Muito…muito bem! Eu aceito! – declara Shinta.



- Excelente decisão! - congratula-se a voz.



De repente, um raio cai mesmo em frente de Shinta e surge uma estranha personagem. Era alto. Um estranho ser, com corpo de pessoa e cabeça de gato. Abrindo os olhos e sorrindo malevolamente para Shinta, a figura apresenta-se:



- Pois bem, querias conhecer-me! Pois aqui estou eu! O meu nome é Thanatos!



- Thanatos? – pergunta Shinta, completamente arrepiado!



- Assim que te tocar, receberás o poder absoluto, Shinta…em troca, eu levarei a tua alma comigo…! – responde Thanatos, rindo-se divertido.



Shinta já não queria saber de mais nada. Estava completamente alucinado com tudo aquilo! Só queria saber de obter aquele poder! Pouco lhe importava se estava a fazer um pacto com um demónio… desde que obtivesse o poder para se vingar e destruir Katsumo! Thanatos levanta as suas mãos, levemente parecidas com patas de gato. Olhando feliz para Shinta, declara:



- Que seja feita a tua vontade! Mwa wa wa wa wa!



E assim, Thanatos, que não era nada mais nada menos que o Nada no Shan Hi Ko, faz a sua dádiva a Shinta…e leva a alma deste em troca!



- Adeus Shinta! Com o poder que te dei, conseguirás vencer, até o Katsumo Hoshi! Mwa wa wa wa! Adeus!!  - Thanatos torna-se fumo e desaparece a rir.



Shinta começa a sentir uma energia a vibrar dentro de si!



- Uau! Que poder! Sinto todas as células do meu corpo a fervilhar! Tenho a força de cem homens! Agora sou invencível! Mwa ah ah ah ah ah ah ah!



A partir desse dia, Shinta esqueceu-se a pouco e pouco dos conhecimentos do seu antigo mestre. Tornou-se cada vez mais poderoso e cruel. Anos mais tarde, com os tesouros que tinha descoberto naquele santuário, decidiu criar uma organização secreta e mudou o seu nome para X.



Passou a usar uma máscara, que só tirava para aqueles em quem confiava e para adversários dignos dele….aguardava pelo momento em que pudesse defrontar Katsumo e derrotá-lo definitivamente! Mas só se Katsumo se revelasse um adversário à altura! Quando ocorreu o grande encontro de Mestres na Tailândia, Shinta esteve presente, como espectador. Assistiu à vitória de Katsumo e foi aí que começou a delinear o Torneio X.



*Shinta regressa à realidade*



- Pois bem…estás cansado Hao? Mwa ah ah ah! – pergunta Shinta, meio trocista ao ver Hao a ficar bastante ofegante de repente.



- Eu… eu…nem por isso, Shinta! Vamos lutar! – responde Hao.



Hao levanta-se. Decide aplicar um soco na barriga de Shinta, mas este agarra-o e dá-lhe uma cabeçada em cheio no rosto. Não contente com isso, dá-lhe um pontapé no peito, fazendo Hao recuar para trás. Este cai para trás. Shinta aproxima-se, mas Hao levanta-se num salto repentino e tenta dar uma série de golpes em direcção de Shinta, mas este salta para trás e consegue evitar todos os seus golpes. Olhando para Hao, ri-se trocista:



- Estás quase lá, meu amigo! Mwa ah ah ah!



Hao fecha os olhos. Invocando toda a sua energia, bate com o pé no chão, com toda a força e levanta uma poeira enorme da praia, cegando Shinta por uns momentos. Shinta sente uma grande pressão no pé, prendendo-o ao chão. De repente, vê 8 braços lançados na direcção dele. Hao lança uma série de socos na direcção de Shinta, bloqueando e quebrando todas as suas defesas. Shinta nem queria acreditar! Estava a ser completamente sovado! Ainda tenta dar uma joelhada, mas tinha o pé bloqueado! Finalizado o golpe, Hao fica sem forças e vira-se para Katsumo:



- Katsumo, tens de continuar a partir daqui…! Eu estou no meu limite…só tu o podes derrotar!



Shinta estava bastante enfraquecido pelos golpes aplicados por Hao, mas ainda assim, não se dera por vencido! Virando-se para Katsumo, diz:



- Se me quiseres vencer, terás de ser mais rápido que ele…caso contrário, nunca conseguirás, Katsumo Hoshi! Mwa ah ah ah! – troceja Shinta, vendo Hao encostar-se a um rochedo.



Katsumo aproxima-se de Shinta. Olhando para ele zangado, responde:



- Já estás a começar a irritar-me! Afinal quem és tu?



Shinta vira-lhe costas. Respirando fundo, vira-se para Katsumo e diz:



- É engraçado…o teu irmão Kajo fez-me exactamente a mesma pergunta!



Katsumo olha para ele surpreso:



- O quê? Quando é…espera lá…como é que tu sabes que tenho um irmão? E que ele se chama Kaji?



Shinta ri-se levemente e responde:



- Bem, estive com ele há uns tempos atrás…quando parti à tua procura…infelizmente, o teu irmão não quis colaborar comigo…e pagou caro a sua insolência!



Katsumo fecha os punhos e arrepia-se todo! Será que…aquilo que lhe veio à ideia…seria verdade?



- O quê que tu fizeste ao meu irmão??



- Sim, isso mesmo Katsumo! Eu matei o teu irmão! Matei-o a ele e a todos estes imbecis que vieram atrapalhar o nosso reencontro!



Katsumo nem queria acreditar no que estava a ouvir! Hao mostrava-se chocado também, nem conseguia articular palavra! Katsumo aproxima-se de Shinta e pergunta-lhe:



- O nosso reencontro? Espera lá…! Tu…não, não pode ser possível! Tu és…?



Shinta deu um salto para trás e rindo-se feliz acena com a cabeça e responde:



- Sim, é isso mesmo! Sou eu, o Shinta! Mwa ah ah ah ah!



Katsumo não conseguia acreditar! Aquele homem era o seu velho amigo e rival?



- Mas…! Shinta, estás tão diferente! – responde Katsumo, com os olhos arregalados.



- Mudei sim…mas para melhor! Agora sou o guerreiro mais poderoso do Mundo! – declara Shinta, com os braços abertos.



Katsumo olha para ele completamente chocado! Uma raiva começa a tomar conta dele…



- Estou sem palavras! Tantas mortes! Todas as pessoas que morreram ao longo do torneio...eles eram inocentes! O Abel! O Leonard! A Shian! Como foste capaz, Shinta?



Shinta ri-se divertido e numa voz melíflua diz:



- E esqueceste-te do teu irmão, do Ghrishma, do Arun…



Katsumo abre a boca mas nem conseguiu falar! Hao levanta-se e pergunta:



- Tu mataste até os desgraçados que trabalhavam para ti? Porquê?



- Ora, eles trabalhavam para mim, mas tencionavam abandonar-me…queriam recuperar a sua liberdade…e assim, ficaram totalmente livres! Até fiz uma boa acção por eles! Katsumo, Hao! Fiquem a saber que ninguém merece viver se for fraco! Só os mais fortes sobreviverão! Já deviam saber disso, vocês os dois! Assim que eu vos vencer, tomarei o controlo deste Mundo e vou governá-lo para sempre! Mwa ah ah ah!



- Tu enlouqueceste! Esqueceste-te dos valores mais importantes, como o Respeito pelos adversários, a Honra de combate…Shinta, tu tornaste-te um ser miserável! – explode Katsumo, preparando-se para o combate.



- Obrigado pelos elogios! Assim que te destruir, tu que és o Eleito da Luz, as Trevas finalmente cobrirão este Mundo, conduzindo-o a uma Nova Era! – declara Shinta.



Katsumo coloca-se em posição de combate e diz:



- Tu estás louco! Chega de parvoíces!



Hao levanta-se de repente e diz:



- Cuidado Katsumo! Ele sabe usar as Místicas Artes do Shan Hi Ko! Ele não é um adversário qualquer!



- Cala-te imbecil! – resmunga Shinta, lançando um brutal pontapé a Hao, que cai desamparado.



Shinta lança-se ao Katsumo. Katsumo bloqueia-o. Sabe que se o deixar atacar, rapidamente perderá para o terrível adversário! Partindo para o ataque, Katsumo dá um pontapé rotativo na direcção de Shinta. Shinta riposta, contra-atacando com um soco nas costelas. Katsumo ignora a dor, tentando aplicar outro golpe.



De cada vez que Shinta lhe dava um golpe, ele ripostava com outro golpe, por forma a ferir mais e mais o seu adversário! O problema disto, é que Katsumo estava claramente a perder a vantagem, deixando as suas defesas enfraquecidas.



Shinta, por seu lado, apercebendo-se dos erros do seu antigo amigo e rival, salta e aplica-lhe um pontapé com o calcanhar, em cheio na clavícula! O ataque que Shinta lança é extremamente poderoso e eficaz.



Katsumo cai inconsciente.



- Ganhei! Finalmente! A vitória é minha! Nem precisei de usar todo o meu poder! Ganhei! Mwa wa wa wa! - grita a plenos pulmões Shinta, rindo loucamente!



Katsumo estava num local escuro, completamente vazio. Não se via nada. Estaria morto? Sentia-se leve, muito leve. Pensou para si mesmo:



- “Ele venceu-me…não tenho poder para vencer aquele monstro…ele é indestrutível…não vale a pena continuar…tanta luta, tanto esforço para nada…perdi tudo…”



De repente, 3 chamas brancas aparecem junto dele! Aos poucos, as 3 chamas tomaram forma e começaram a falar à vez:



- Katsumo…não podes desistir tão facilmente! Ele é um monstro, mas tu tens que o vencer! – sussurrava Shian, agora com um aspecto ainda mais bonito do que tinha em vida!



- Shian…! Lamento tanto! Quem me dera…ter conseguido evitar a tua morte! – respondeu Katsumo.



- Não te preocupes com isso…! Toma, este é o meu poder… - Shian sorri e Katsumo sente uma energia a atravessar o seu corpo.



O espírito de Arun aproxima-se:



- Katsumo, parece que infelizmente não poderemos voltar a combater…pelo menos no Mundo onde estás agora! Ah ah ah ah! Toma, usa o meu poder e vinga-te daquele demónio! – responde Arun, enquanto Katsumo sente as suas pernas a vibrar com tanto poder!



O último espírito toma forma e mostra-se a Katsumo:



- Irmão…!



- Kaji!!! – Katsumo começa a chorar e levanta-se para se abraçar a Kaji, mas atravessa-o…



- Lamento Katsumo…eu não sou mais do que um espírito agora…não me conseguirás abraçar fisicamente…mas poderás sentir o meu abraço…! – Kaji abraça-se a Katsumo e este compreende o que o irmão queria dizer!



Um calor imenso invadiu-lhe o coração e expandiu-se pelo corpo de Katsumo! Sorrindo, Kaji pergunta:



- Katsumo, lembras-te do nosso velho enigma? Quem é mais forte num dia de tempestade? O carvalho ou o junco?



- O junco! Porque o carvalho verga e parte com a força do vento, enquanto o junco só verga, mas não parte! – responde Katsumo com um sorriso.



Acenando com a cabeça, Kaji diz:



- Assim é…Shinta tornou-se um carvalho, cheio de poder maligno! Tu és o junco e tu vais vencer! Acredita em ti mesmo, irmão! Não desistas! Toma, este é o meu poder…não é nada comparado com o dos restantes, mas é o meu amor por ti…



E assim, Kaji toca no peito de Katsumo, entregando-lhe o seu poder…



Quando os 3 poderes se unem no coração de Katsumo, uma luz pura, quente e dourada ilumina-o por breves instantes…



...e Katsumo desperta…




[Continua…]

Olá pessoal! Este conto está quase a terminar! Entramos hoje na sua recta final!




A Vingança! Capítulo 10: Revelações!



Hao e Katsumo aproximam-se da arena. Chegados lá, fazem uma ligeira vénia um ao outro, em sinal de respeito. Colocam-se em posição de combate. Katsumo começa a aproximar-se lentamente de Hao, para entrar na linha de alcance deste. De repente, Katsumo começa uma combinação de pontapés e socos a curta distância, enquanto Hao movimenta-se de modo a evitar todos os golpes, a defender-se e a deflecti-los. Hao sorri:



- Nada mau! Estás concentrado no ataque e não na defesa!



Katsumo por sua vez não o ouve. Continua determinado a atacar, lançando as suas fúteis combinações. Por cada golpe que Katsumo tenta infligir, Hao riposta, dando um golpe em retorno, mas sem o magoar demasiado. Hao dá um salto para trás e declara:



- Estás a ver Katsumo? Atacas muito rápido, mas deixas muitas aberturas!



Infelizmente, Katsumo parecia determinado a não escutar. Continuava a tentar atingir o seu adversário, com as suas séries de golpes, muito rápidas. A dada altura, ele tenta dar um pontapé alto, mas é interceptado pelo Hao, que riposta com um pontapé baixo na outra perna de Katsumo, fazendo-o desequilibrar-se.



Hao aplica-lhe um soco na barriga empurrando o adversário com o impacto, pressionando Katsumo contra o chão. O impacto causou um enorme estrondo! O chão da arena ficou marcado, com o corpo de Katsumo! Este ficou completamente K.O.  



O árbitro fez a contagem…



- E temos um vencedor! Hao Fang, de Hong Kong! Passo a palavra a X, que está encarregue de entregar o troféu e o prémio! – exclama o árbitro, perante ovações do público, que estavam muito impressionados com o combate!



Shinta levanta-se. Pegando no troféu, uma bonita estátua banhada a ouro, aproxima-se lentamente do palco. Tirando a máscara, afirma pomposo:



- Parabéns Hao Fang! Aqui está o teu prémio! Um cheque no valor de 2 milhões de euros!



Hao pega no cheque e sorri. Depois de fazer uma vénia, pergunta:



- E o troféu?



Shinta começa-se a rir!



- Mwa ah ah ah! Achas mesmo, Hao Fang, que és o melhor lutador do Mundo? Eu desafio-te a provar isso mesmo! Aqui e agora! En guarde!



- Mas…! Este combate…não está previsto! – reclama o árbitro, indignado.



Shinta perde as estribeiras e responde:



- Ora, desaparece da minha vista!



Hao Fang vira-se para o público e em voz séria, afirma:



- Por favor, saiam todos daqui! X vai começar a ferir toda a gente e as armas não serão eficazes contra ele! Saiam todos antes que seja tarde!



O público começa a correr, confuso, com muita gente aos berros e a gritar. Shinta começa a lançar ataques contra as pessoas que por ali estavam, provocando ainda mais pânico. Não tardou muito que só ficassem Shinta, Katsumo e Hao, por ali.



- Excelente! Assim está muito melhor! Proponho que o nosso combate seja noutro local, onde possamos combater à vontade! Quero derrotar-vos aos dois! – declara Shinta, completamente alucinado!



- Mas…! Quem és tu? – pergunta Katsumo, incrédulo.



- Já lá vamos! Agora, acompanha-nos! – responde Shinta.



E assim, os três guerreiros partem para uma zona à beira mar, completamente isolada. Ao chegarem ao local…



- “Que estranho! Este lugar faz-me lembrar algo! Mas o quê?” – pergunta-se Katsumo.



- Muito bem! Chegou a hora de sabermos qual de nós é o mais forte! Duplico o prémio que te dei! Se ganharem, recebem 4 milhões de euros e o troféu! Se perderem, aceitam ser meus escravos!



Hao suspira e fecha os olhos. Como Katsumo ia para responder, ele coloca uma mão sobre a boca dele e pergunta:



- Ora bem. X, antes de mais, chega de segredos. Quem és tu? Porque queres vingar-te do Katsumo? E esta estranha presença…!



Shinta vira-se para ele e começa a bater palmas! Sorrindo cordialmente, responde:



- Parabéns Hao! Vejo que continuas atento a tudo, como sempre! Mwa ah ah ah! Queres respostas? Prepara-te para o combate então!



O clima altera-se rapidamente. O céu ficou coberto de nuvens que reflectiam o pôr-do-sol. A atmosfera começou a ficar cada vez mais carregada e a dada altura, um trovão dá início a uma chuva torrencial!



- Até os céus têm pena de vocês os dois! Os anjos já choram a vossa morte! Mwa ah ah ah ah! – afirma Shinta.



Hao aproxima-se de Katsumo. Olha para ele e diz:



- Tem muito cuidado! Ele vai usar todo o seu poder contra nós!



Olhando para Shinta, Hao responde:



- És muito convencido, X! Isso é meio caminho para a derrota!



Hao vira-se para Katsumo e diz:



- Começo eu! Não te metas neste combate, ouviste?



Shinta e Hao começam a avaliar-se, numa tentativa de descobrirem um ponto fraco no oponente e darem o primeiro golpe. Após alguns segundos em silêncio, o combate começa!



Hao lança-se veloz contra o seu oponente, esperando que o seu adversário reaja, mas Shinta não reage a nada! Hao salta e lança um poderoso soco na face de Shinta! Uma vez mais, Shinta não reage, perante o olhar incrédulo de Hao! Shinta ri-se divertido e diz:



- Só isso?



Hao decide lançar-se novamente ao ataque. Desta vez, pontapeia Shinta directamente nas pernas, a ver se este perde o equilíbrio. Shinta volta a não mostrar dor. Hao, admirado, salta para trás, em posição de defesa. Shinta sorri malévolo e afirma:



- Deixa-me mostrar-te como se faz!



Shinta dá um súbito salto na direcção de Hao, a grande velocidade, até levantando pó. Repete os movimentos que Hao lhe infligiu, dando um soco na cara de Hao e pontapeando-o nas pernas em seguida, fazendo-o dar duas piruetas no ar. Quando Hao se levanta, atordoado e incrédulo, o seu rosto estava manchado de sangue: partira o nariz. Olha para a mão, espantado. Distraído com o que lhe estava a acontecer, não se apercebe que Shinta tinha partido novamente para o ataque. Shinta dá-lhe um poderoso soco na barriga, Hao fica agarrado à barriga, cheio de dores e a tossir.



Não aguentando as dores, coloca-se de joelhos a tossir, com os braços envoltos na barriga. Shinta volta para a sua posição inicial, a rir-se. Hao nunca imaginara que pudesse existir alguém tão poderoso! Este adversário iria fazê-lo revelar todos os seus poderes e técnicas que adquiriu ao longo do seu treino! Ele levanta-se, respira profundamente, concentrando-se ao máximo, disposto a dar tudo por tudo! Colocando-se numa nova posição, um Arqueiro Ancestral!



Shinta olha para ele e ri-se da nova posição de combate. Hao parte nesse mesmo instante a grande velocidade, salta no ar e aplica-lhe um pontapé em cheio no peito, fazendo Shinta desequilibrar-se para trás. Mal Hao põe os pés no chão, dá-lhe um soco na barriga. Não contente com isso, aplica-lhe um pontapé na face, fazendo Shinta enterrar a cara no chão. Shinta fica surpreendido e o sorriso rapidamente se torna um esgar. Shinta levanta-se e, raivoso, tenta dar um soco ao Hao. Este esquiva-se e dá-lhe uma cotovelada, seguida de um pontapé, no peito. Com o outro pé, dá-lhe um pontapé rotativo na cara, enterrando-o novamente no chão! Shinta levanta-se, desta vez concentrado completamente no Hao.



- Nada mau…não te desembaraças nada mal…Está na hora de passarmos a coisas sérias!



Shinta lança-se de encontro ao Hao, simulando um pontapé, iludindo a defesa de Hao e dando-lhe um soco na cara, seguido por um pontapé no pescoço, a grande velocidade. Hao fica atordoado com o impacto. Shinta agarra-o pelo cachaço e atira-o contra um rochedo! Hao começa a ficar cansado! Ofegante, pensa:



- “Possa…! Ele é incrível! Além de tudo o que já fizemos, ainda consegue contra-atacar, mesmo debaixo destas condições!”



Shinta ri-se levemente, pensando:



- “Ele ainda não me reconheceu! Assim como o Katsumo! Está espantado por eu conseguir ripostar os seus golpes!”



Shinta recorda o seu passado. Depois de ter deixado o dojo onde treinava com o velho mestre e Katsumo, ele tenta encontrar um rumo para a sua vida. A derrota contra Katsumo consumia-lhe todos os dias um pouco da alma e do coração…



*Hong Kong, há muitos anos atrás…*



- Iáááááhhh! Hum! Hummm! – Shinta treinava ávido numa floresta. Tinha deixado o Japão em busca de respostas e encontrava-se ali, em Hong Kong, a treinar. Todos os dias a dúvida atormentava-o:



- Porquê? Porque perdi? Porquê?



Shinta começou a chorar. Era demasiado para ele. Sentia-se frustrado e enraivecido por não encontrar a resposta que procurava. Começou a chover torrencialmente, mas ele prosseguiu o seu treino.



De repente…uma torrente de lama começou a jorrar do alto da colina! Ao ver aquilo, Shinta começou a correr o mais que pôde e enfiou-se numa gruta que encontrou pelo caminho!



- Foi mesmo a tempo! – suspirou Shinta, alagado em suor.



Sentando-se a descansar um pouco, depressa se apercebeu que aquela gruta era maior do que aparentava à primeira vista. Curioso, decidiu começar a explorá-la. Avançou conforme podia. O buraco era escuro e íngreme, mas a gruta possuía um pouco de luz, fruto dos minérios fluorescentes que tinha e isso ajudava-o a avançar, ainda que lentamente. Perdeu a conta do tempo que andou.



Já estava a ficar esgotado, quando foi dar a uma grande clareira, com um pequeno lago ao centro. Uma estranha construção reflectia-se no lago. Dando a volta a este, Shinta aproximou-se do local. Deparou-se com estranhos caracteres numa linguagem que ele desconhecia. O edifício não era grande, mas estava bem conservado. Parecia ser um pequeno santuário.



Empurrando as portas de pedra, entrou.



Dentro do santuário, estava tudo muito escuro e aparentava estar vazio. Depois de estar habituado à escuridão, Shinta avança a tactear, perguntando-se que faria ali um santuário…



O chão mudou de repente. Deixou de ser pedra para passar a ser madeira. Devia ser um alçapão! Estava ele prestes a abrir o mesmo quando este se desfaz e Shinta cai num buraco. Assustado, berra o mais que pode, mas estava muitos metros debaixo do solo. Após alguns segundos que levaram uma eternidade, Shinta tocou o solo. Com o impacto da queda, desmaiou.



Quando acorda, Shinta pensa estar a sonhar! Estava numa sala muito bonita! A sala estava repleta de tesouros! Uma grande estátua de um estranho homem com 10 braços brilhava bem no centro da sala! Devia ser de ouro! À sua volta, pilhas e pilhas de ouro, pérolas, moedas, coroas, algumas espadas cravejadas com rubis e safiras…era lindo!



Ao lado da estátua estava uma arca. Presumindo que dentro da arca houvesse mais tesouros, Shinta, ávido de cobiça, aproxima-se. Abre a arca e descobre uma urna selada. Uns estranhos caracteres, muito idênticos aos que estavam na porta do santuário, cobriam a tampa da urna. Assoprando para tirar o pó da urna, Shinta puxa a tampa e abre a urna. Devido ao pó, começa a tossir.



- Cof, cof, cof!



- Nada mal miúdo!! – responde uma voz.



Shinta vira-se para todos os lados! Que voz tão fria! Cheio de medo, pergunta:



- O quê? Quem está aí?



- O meu nome não interessa! Ouvi-te vezes sem conta, Shinta! Decidi oferecer-te a minha ajuda…em troca, apenas te peço uma coisa!!



Shinta encosta a urna ao seu peito e aproxima-se da estátua, como se procurasse proteger-se daquela voz. Insistiu:



- Quem és tu? Onde estás? Ouço-te falar mas não te vejo!



A estranha voz riu-se. O riso era glaciar e causava arrepios a Shinta!



- Dizes…que me podes ajudar…! Em quê? – pergunta Shinta.



- Eu sei que o teu maior desejo é seres o mais forte do Mundo, não é verdade, Shinta?



Este mostra-se surpreendido! Como era possível?



- Eu sei tudo sobre ti, Shinta! Sei que queres vencer o Katsumo! É o teu maior desejo! Tens treinado duramente, mas não tens evoluído nada! No fundo…sabes que és um falhado! Mwa wa wa wa!!!



Irritado, Shinta responde:



- Cala-te! Cala-te maldito! Eu estou mais forte!



A voz finge-se surpreendida e diz:



- A sério? Então…toma!!!



Uma poderosa rajada de vento glaciar varre aquela sala e empurra Shinta contra uma das paredes com toda a força. Shinta começa a berrar e a gritar, cheio de dores:



- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!



A misteriosa voz ri-se demoniacamente. Pareciam 100 risadas ao mesmo tempo!



- Gostaste Shinta? Queres mais? Mwa wa wa wa wa wa!



- Nem penses que vou desistir, seu maldito! Mostra-te! – responde ele, começando a perder as forças.



A voz lança um poderoso e mortífero ataque. Shinta cai de imediato, derrubado por uma mão invisível…




[Continua…] 


A Vingança! Capítulo 9 ~ Arun Versus Katsumo! Parte 2



Katsumo perde os sentidos com o impacto de tantos golpes. Arun levanta os braços e orgulhoso da sua vitória, começa a rir selvaticamente:



- Uáhh! Ah ah ah ah ah! Estás a ver Katsumo Hoshi? Finalmente, depois de tanto tempo, o meu objectivo cumpriu-se! Ah ah ah ah ah ah ah!



O árbitro aproxima-se de ambos e diz:



- Tenha calma Arun! Só é declarado vencedor, caso o seu adversário esteja deitado no chão, no final da contagem!



- Sim, sim! Claro! Está à espera de quê para começar a contar? – perguntou Arun.



Shinta virou costas, levemente decepcionado! Não era aquele o final que ele esperava! Suspirando entredentes, ele diz:



- Katsumo, Katsumo…afinal não és assim tão bom! Ou então nós é que somos demasiado fortes para ti! Mwa ah ah ah ah!



Katsumo estava atordoado. O público vai gritando, uns para o incentivar a acordar, outros a celebrar já a vitória de Arun… De repente, ele deu consigo a pensar:



- “Não posso perder…mas já não tenho forças…o Arun merece ganhar…”



O árbitro começou a fazer a contagem. Katsumo pensava nas pessoas que já tinham perdido a vida naquele torneio. Shian…ela era tão nova! Ia o árbitro no 9, quando…



- Eu..não posso desistir! – respondeu Katsumo, levantando-se!



Toda a gente se mostrou surpreendida! Shinta, Arun e muitas pessoas do público não conseguiam acreditar! Arun, fechando os punhos, respondeu, raivoso:



- Preparado para outra dose? Garanto-te que desta já não te levantas!



Arun aproxima-se de Katsumo para lhe prender o pescoço e aplicar-lhe joelhadas, como fizera com Shian. Katsumo deixa-se prender e quando Arun se prepara para atacar, Katsumo dá-lhe socos na cara, desprendendo-se daquele “abraço”. Katsumo salta, apoia-se na perna de Arun para ter mais lance e aplica uma joelhada no queixo de Arun! Deixa-se estar em cima de Arun e dá-lhe uma cotovelada em cheio na cara! Como Arun começa a cair para trás, Katsumo salta e quando Arun já está entendido no chão, Katsumo aplica toda uma joelhada sobre a barriga de Arun!  



Arun grita desesperado! O árbitro começa a fazer a contagem:



- 1,2,3,4,5,6,7,8,9…



Shinta levanta-se, irritado:



- Acorda, meu grande idiota! Levanta-te!



 - 10! Katsumo Hoshi é o vencedor e avança para a Final! – exclama o árbitro, muito satisfeito!



Shinta parte o copo que tinha na mão, atirando-o com toda a força contra a parede e desfazendo-o em mil pedaços.



- Maldição! Este idiota perdeu! – resmungava Shinta, colocando a máscara de novo.



Katsumo aproximou-se de Arun e estende as mãos para o ajudar a levantar-se. Pergunta-lhe:



- Então Arun, estás bem?



Arun aceita a ajuda e fechando os olhos, responde:



- …..Obrigado miúdo…por 2 vezes lutei contra ti, das duas vezes saí derrotado…que destino cruel o meu! Tu lutaste com muita bravura e honra…soubeste esperar pelo momento certo para aplicares o mais forte dos teus golpes…isso faz de ti um grande guerreiro, Katsumo Hoshi! Mesmo eu, tenho que admitir isso!



Katsumo sorriu e levemente envergonhado, disse:



- Obrigado Arun! Tu realmente és um campeão, os teus golpes são excepcionais! É pena lutares do lado errado…



- Ah ah ah ah! Voltaremos a ver-nos um dia, Katsumo! E da próxima vez, serei eu a ganhar! – declarou Arun, saindo do ringue.



Toda a gente bateu palmas! Tinha sido um combate impressionante! Muitos felicitaram Arun, apesar de ele ter perdido! Ele tinha conquistado a atenção e a admiração de toda a gente. Lentamente, porque estava mais ferido do que aparentava, Arun seguiu para o seu refúgio. Precisava de descansar e recuperar forças, para poder fugir dali antes que acabasse o torneio. Ao chegar ao corredor onde ficava o seu quarto…



- Espero que tenhas uma boa explicação, Arun! Como foste capaz de perder contra o Katsumo? Depois de tudo o que fiz por ti?! – Shinta estava possesso!



Com um bocado de esforço, Arun ajoelha-se e responde:



- Mestre…peço-vos perdão…de facto, o senhor fez tudo o que pôde por mim, mas o Katsumo está muito mais forte do que eu imaginava. Ele conseguiu aniquilar o meu golpe mais poderoso! Ele ainda contra-atacou com um belo combo! Que poderia eu fazer, mestre? Não tive hipóteses…O Katsumo provou que é melhor do que eu! Por mais que me custe a admiti-lo….



Arun dá uns murros na parede, completamente frustrado. Shinta fecha os olhos, suspira e sussurra em tom melífluo:



- Muito bem, sendo assim, já não preciso de ti…para nada!



Arun, em pânico, pergunta:



- Ah? O quê? O que vai fazer, mestre?



- Adeus idiota! Manda cumprimentos meus ao inútil do Ghrishma! Vejo-vos no Inferno! – responde Shinta, aplicando uma injecção na perna de Arun.



Arun começa a estrebuchar e a espumar pela boca. A morte não tardaria a adormecê-lo, com um ataque cardíaco. Depois de confirmar que o seu capanga estava morto, Shinta vira costas, calmamente. Começando a assobiar, diz para si mesmo:



- Foste mesmo um grande imbecil, Arun! Apenas mais uma peça no meu tabuleiro! Agora só falta acabar com aqueles dois! Mwa ah ah ah ah!



Regressando à sala de torneios, onde todos o aguardavam, Shinta diz:



- E agora, vamos chamar os dois guerreiros que chegaram à Grande Final! Katsumo e Hao, apresentem-se!



Todas as pessoas começaram a bater palmas e a assobiar, bastante curiosas para ver como iria terminar aquele torneio! Quem irá ganhar?




[Continua...]


                                               A Vingança! Capítulo 8 ~ Arun Versus Katsumo!



Após um longo treino…



- Que coisa! Se me contassem aquela história, eu nunca acreditaria…! Como pode ser? – pergunta Ghrishma a Arun.



Arun fecha o punho direito com alguma raiva.



- Eu compreendo perfeitamente…fez-me lembrar o dia…aquele fatídico dia em que eu perdi contra o Katsumo…foi uma derrota humilhante…para mim…eu nunca esquecerei aquele dia…nunca!



- O mestre e o Katsumo ainda eram crianças…mas pronto, a tua raiva eu acho que compreendo… - responde Ghrishma, num suspiro.



Arun sorri para o colega e remata:



- Bom…deixo-te agora…até amanhã!



Enquanto Ghrishma se dirige para o seu quarto, Arun vai ter com Shinta, o seu mestre. Encontra este um pouco perturbado…



- Aquele Ghrishma…fez-me abrir feridas que ainda não sararam! Desta vez, ele foi longe demais! Arun…amanhã…será o último dia dele, ouviste?



Arun abre a boca espantado:



- Mestre? Porquê isso agora? Ele faz o trabalho dele…



Shinta levanta-se chateado e responde:



- Sim! A menos que queiras ser TU a ser eliminado!



Arun endireita-se logo. O seu mestre estava a ficar furioso e ele sentia uma aura de energia muito forte a concentrar-se. Sabia que aquele homem teria algum trunfo caso ele partisse para o ataque…estava quase na hora…depois de ele vencer Katsumo, poderia deixar aquilo… Suspirando, respondeu:



- Não mestre, não é preciso…eu faço isso! Eu tratarei do assunto!



Sem que se apercebessem, Ghrishma escutava-os atrás de um pedestal. Em pânico, apercebeu-se que só lhe restava fugir. Mas não ia fugir de mãos vazias. Correndo para o cofre do esconderijo, agarrou um saco de viagem e começou a enchê-lo de dinheiro.



- Se pensam que fico à espera da morte, estão muito enganados! Está na hora de me pôr a milhas daqui!



Quando o saco ficou cheio, Ghrishma correu o mais que pôde para o porto. Lá, meteu o saco numa lancha e ligado o motor, a lancha começou a avançar para fora da ilha. Sorrindo feliz, ele olhou para trás, fazendo uma vénia.



- Finalmente! Adeus mestre! – gritou Ghrishma, já bem longe da costa.



Feliz da vida, ele abriu o saco e pegou em vários maços de notas. Tanto dinheiro!



- Vou realizar todos os meus sonhos! Custou, mas consegui! – suspirou.



A viagem começava a tornar-se monótona. Ghrishma decidiu ligar o rádio para ter companhia.



E assim…



CABOOUUUMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!



O barco foi pelos ares com tamanha explosão.



Um novo dia começa, com o sol a brilhar timidamente.



Era um grande dia para Arun. Iria defrontar Katsumo, o seu sonho. Recordava-se da dor que tinha sido perder contra um miúdo, anos antes. E depois, a proposta de Shinta…é certo que a aceitara, mas no íntimo, Arun sentia-se enjaulado desde essa altura. Começava a ficar farto de aturar aquele homem. Ele tratava-os sempre tão mal, a ele e a Ghrishma… ainda havia mais isso…ele teria de acabar com o colega naquele dia. Ghrishma podia ser um idiota, mas Arun habituara-se a tê-lo por perto. Até podiam pensar em trabalhar juntos quando acabasse aquele maldito torneio…



- Hoje acaba tudo! Vou derrotar aquele maldito miúdo e o tal Hao será canja depois! Ah ah ah ah ah! – respondeu para si mesmo.



 Acabando de se preparar para o combate, vai ter com Shinta. Chegado lá…



- Bom dia mestre!



- Bom dia Arun! Vejo que já arrumaste o Ghrishma! Muito bem! Mwa ah ah ah! – respondeu Shinta com um sorriso diabólico.



- Ah? Como assim? – perguntou, confuso.



Shinta responde:



- Então, comigo não precisas de fingir! Ele não está no quarto, nem sequer desfez a cama! Já andei a rondar e ninguém o viu na ilha! Muito bom trabalho!



Arun ri-se divertido, para disfarçar o embaraço:



- Sim mestre! Ah ah ah ah ah! Foi fácil!



Shinta sorriu:



- É assim mesmo! Vá, acaba com o Katsumo! Vinga-te dele! Mwa ah ah ah!



Arun segue para o ringue, orgulhoso. Shinta vira-se e resmunga entredentes:



- Finalmente! Já falta pouco! Em breve, a vitória será minha! Pouco importa qual de vocês ganhe, já que vos vou destruir a todos! E tu Hao, não perdes pela demora…



- Senhoras e senhores, vamos dar início à próxima meia-final do torneio X! Este combate espectacular, uma verdadeira final antecipada, opõe Arun, que vem da Tailândia…a Katsumo, que vem do Japão!! – exclama o árbitro, perante os gritos do público.



- Katsumo, Arun, boa sorte aos dois! Que vença o melhor! – declarou o árbitro.



O público ovacionou uma vez mais e Shinta, bastante satisfeito, suspirou:



- Finalmente! Já falta pouco! Em breve a vitória será minha!



Arun lançou-me um esgar:



- É hoje! É hoje que me vou vingar de tudo o que me fizeste!



Eu virei-lhe costas e respondi:



- Boa sorte para ti também!



Dong, dong, dong!



- Que comece o combate!



Mal o combate começa, Arun avança sobre Katsumo. Lança-se impiedoso, com uma poderosa combinação de socos, aproximando-se cada vez mais de Katsumo. Katsumo faz os possíveis para se defender, bloqueando os socos, que eram lançados ao peito e à cara. Como Katsumo continuasse a bloquear e a proteger a cara, Arun prosseguia com o ataque, empurrando Katsumo contra uma parede da arena. A dada altura, Arun, para desbloquear a defesa, pega no braço esquerdo de Katsumo e puxa-o com violência, para o fazer perder o equilíbrio. Ao mesmo tempo, com o cotovelo direito, Arun atinge a cabeça de Katsumo.  



Shinta ria-se, completamente extasiado:



- Mwa ah ah ah ah! Katsumo, vais pagar por tudo!



Arun deu por si a pensar:



- “Hummm…ele tem treinado a sério…Este combate vai ser mais interessante do que pensava…”



Eu também aproveitei a pausa e comentei para comigo mesmo:



- O Arun está mesmo mais forte e confiante do que da última vez…! Vai ser um bom desafio!



- Então Katsumo? Estás a gostar do aquecimento? Acho que deveríamos começar a lutar a sério! – perguntou Arun, com um sorriso trocista.



Acenei com a cabeça:



- Sim, desta vez concordo contigo!



Katsumo aproveitou a conversa para recuperar um pouco os sentidos e ficar mais atento ao seu oponente. Arun lança-se de novo sobre Katsumo, mas desta vez, Katsumo estava preparado. Arun lança-se para dar dois socos de esquerda, e ao dar um terceiro golpe, desta vez com a direita, Katsumo defende-se. Ele dispersa o golpe, lançando-se com o corpo para a frente e dá um soco com toda a força no plexo solar de Arun! Arun recua ligeiramente. Katsumo lança um pontapé baixo na perna esquerda de Arun. Em seguida, aproveita-se do momento e dá um pontapé lateral na face dele! Katsumo continua com o ataque, saltando e lançando um pontapé rotativo na cara de Arun! Este por sua vez, agarra o pé de Katsumo e aplica uma valente cotovelada no peito de Katsumo! Este cai cheio de dores! Arun ri-se e imponente, afirma:



- Ah ah ah ah! Gostaste, Katsumo? Sente na pele a dor que me provocaste, seu miserável!



- Aiii…ahmmmm…este foi em cheio…mas não posso desistir…! – replicou Katsumo.



- É só o princípio! – declarou Arun.



Katsumo coloca-se imediatamente em pé. Esfregando o peito, ele corre de encontro ao Arun e este ao encontro de Katsumo! Arun dá uma joelhada em salto! Katsumo salta, não só para evitar o golpe, mas também para aplicar dois socos: um no peito e outro na cara de Arun!



- Eles estão em pé de igualdade! – respondeu o árbitro a dada altura.



Katsumo pensava:



- “Como é possível que Arun se tenha tornado tão forte! Ambos estamos feridos, mas, tal como eu, ele não desiste! Se as coisas continuarem assim, vai ser um combate até à morte!”



Arun, por sua vez, perdeu-se em pensamentos:



- “O combate está mesmo renhido! Mas como pode este rapaz conseguir antever os meus golpes e ainda me ferir? Onde vai ele buscar tamanho poder?”



*Arun recorda-se do primeiro encontro com Shinta*



- Arun, eu dou-te o poder necessário para venceres o Katsumo, mas em troca, quero total lealdade! Vais ficar a treinar com o Ghrishma, assim poderás desenvolver o teu talento! – afirmou Shinta, com ar sério.



- Às suas ordens, mestre! – respondeu Arun, com uma vénia.



Despertando das suas memórias, Arun pensa:



- “Aqueles tempos foram mesmo difíceis…o Ghrishma era um grande lutador, mas o mestre não lhe deu a oportunidade que ele merecia de mostrar o seu potencial…ele não merecia uma punição tão severa… Hummmm…o mestre está a começar a ir longe demais! Espera lá…Não, nem pareço eu..! Concentra-te Arun! Tens um combate para acabar…e ganhar!”



Katsumo olha para Arun. Espantado por o ver sem reacção aparente, pensa para consigo mesmo:



- “Arun está diferente…não sei o que aconteceu, mas ele aparenta estar perturbado com algo…está a lutar como nunca vi, mas parece que o seu espírito está ausente…”



Shinta levanta-se impaciente e começa a franzir o sobrolho:



- Arun, Arun, Arun….o destino é mesmo cruel…o Katsumo já está em ligeira vantagem e se não te concentrares, vais deitar tudo a perder!



Arun desperta dos seus pensamentos e orgulhoso, vira-se para Katsumo:



- Treinei duramente durante todos estes anos! Chegou a hora de acabarmos com isto! Assim que acabar contigo, recuperarei a honra e o respeito que me roubaste!



Katsumo responde-lhe, determinado:



- Tens razão! Está na hora deste combate terminar!



Recuperado, Arun lança um pontapé lateral, com toda a força. Katsumo defende aquele poderosíssimo ataque, mas acaba por desequilibrar-se. Ao desequilibrar-se, Arun prepara-se para dar outro pontapé na cara, mas Katsumo coloca-se novamente em guarda, tentando absorver o impacto do golpe. O golpe é tão forte, que Katsumo cai e sussurra:



- Não! Como poderei vencer este adversário? Eu não posso perder…




[Continua…]


 A Vingança! ~ Capítulo 7:


O passado de X!



Após a sua vitória sobre Nagashi, Katsumo vai ao encontro de Hao. Este recebe-o de braços abertos:



- Ei meu jovem! Parabéns! Foi uma vitória espectacular!



 - Sim…! Foi um combate difícil, mas tive sorte! O senhor Nagashi é de facto muito forte! – respondeu Katsumo, feliz.



- Assim é, meu amigo! Devemos treinar e trabalhar para sermos os mais fortes, mas, apesar disso, haverá sempre alguém tão forte ou ainda mais forte que nós! – exclama Hao.



- Claro que sim! – responde Katsumo, bastante satisfeito! - Agora, vamos jantar!



Muito mais tarde…  



Hao levanta-se:



- Eu vou indo. Amanhã espera-me um combate muito difícil. E a ti também Katsumo! Vê se descansas! Precisas de estar em boa forma! – dizendo isto, Hao parte para os bosques, onde iria treinar. Katsumo dirige-se para o quarto, preparando um banho quente. Precisava de relaxar o corpo e a mente…



Enquanto isso, noutra zona da ilha…X e os seus capangas trocam impressões sobre os combates que terão lugar no dia seguinte.



- Ghrishma e Arun, amanhã vai ser um dia muito importante para mim. A minha vingança está perto de chegar ao fim. Arun, com a tua vitória sobre Katsumo e consequentemente a sua morte… - declara X, sorrindo malévolo.



- O Hao ficará louco de raiva quando assistir ao grande final do seu amigo Katsumo! Ih ih ih ih! – responde Ghrishma, excitado.



Arun toca no seu peito numa cicatriz e afirma:



- Sim! A minha cicatriz lembra-me todos os dias aquilo que Katsumo me fez! Desta vez, serei eu a vencer! Ele não perde pela demora!



X rejubila ao escutar estas palavras e remata:



- Agrada-me ouvir isso! Agora, chega de conversa! Comecem os dois a treinar! Imediatamente!



- Às suas ordens, mestre! – respondem Arun e Ghrishma, fazendo uma vénia.



X vira-lhes costas e murmurando, diz:



- Apesar de tudo, EU é que vou ganhar! Katsumo, vais pagar por tudo! Mwa ah ah ah ah!



A noite passou com uma lentidão que foi apreciada por todos. Uns treinavam. Outros optaram por descansar e assim recuperar as energias perdidas. O certo é que, chegado o novo dia, todos estavam bem-dispostos e cheios de vontade de lutar…e de vencer…



Toda a gente se dirigiu para a arena e assim que X e o árbitro se aproximaram, todos se levantam:



- Senhoras e senhores, bem-vindos à 1ª eliminatória das ½ finais deste torneio! Hoje, vão lutar os 4 melhores participantes deste torneio. O nosso primeiro combate opõe Ghrishma, que veio da Índia…a Hao, que veio de Hong Kong! – declara o árbitro, entusiasmado.



Ao ouvirem os seus nomes, ambos os lutadores partem para a arena de combate, entre apupos e ovações do público. Entretanto, X e Arun sentam-se para ver o combate e este último pergunta:



- Qual o motivo…do mestre se querer vingar do Katsumo? O que fez ele?



X vira-se para ele e responde:



- Arun, não te metas onde não és chamado. Não me arranjes problemas, senão…já sabes o que te espera!!



Retraindo-se, pensa:



- “O que será que aconteceu? Porque é que ele não me diz?”



Entretanto, na arena…



Muito bem meus senhores! Aos vossos lugares!



Dong, dong, dong!



Ghrishma sussurra:



- En eh eh! Vai ser muito divertido!



Hao olha para o seu adversário e pensa:



- “Tenho de ter muito cuidado e ser cauteloso.”



E assim começa mais um espectacular combate!



Hao estava na sua posição de defesa quando Ghrishma o ataca. Aproveita-se da sua velocidade para correr pela arena, criando a falsa ilusão de que havia vários Ghrishma ali. De repente, aproxima-se de Hao mas dá um salto e preparava-se para ataca-lo pelas costas. Hao lança um pontapé para trás, atingindo Ghrishma no peito. Ghrishma cai de pé, levantando-se de imediato. Fecha a mão e prepara-se para dar um soco rotativo na cara de Hao. Este defende-se e pontapeia-o no mesmo sítio. Ghrishma volta a cair mas desta vez deixa-se estar estendido. Precisava de pensar um pouco sobre como neutralizar Hao. Entretanto, o árbitro inicia a contagem.



- Levanta-te Ghrishma! Ainda é cedo para dormir! – afirma Hao.



Ghrishma levanta-se e retoma o combate. Hao ataca-o, lançando-lhe uma série de ataques de socos e punhos na cara, peito, costelas, a uma velocidade incrível. Ghrishma recua cheio de dores, admirado com a velocidade dos golpes do seu adversário. Hao vira-se para ele e diz:



- É melhor desistires, não estás ao meu nível!



Dong, dong, dong!



- O tempo de combate acabou! Descanso de 3 minutos! Depois disso, retomamos o combate! – explica o árbitro. Katsumo aproxima-se de Hao para lhe dar algum apoio.



- Estás a ir muito bem! Mantém as defesas! O Ghrishma deve estar a guardar o melhor para o fim!



- Sim, eu sei disso…mas nunca pensei que ele fosse tão resistente… - suspirou Hao Fang. –



No outro lado do ringue, X aproxima-se de Ghrishma:



- Hao Fang desembaraça-se bem…melhor do que imaginava…Mas chega de brincadeiras, Ghrishma. Não hesites em matá-lo e quando o fizeres, lança um olhar provocante ao Katsumo!



Ghrishma faz uma vénia e rindo-se divertido, responde:



- Ah ah ah ah! Que assim seja, mestre!



Dong, dong, dong!



Ghrishma prepara-se para atacar. Já vira que o seu oponente não era um adversário qualquer. Pegando nas suas kattar, ele lança-se contra Hao. Hao agarra-lhe nos braços e aplica-lhe um pontapé no queixo, deslocando-lhe o maxilar! Ghrishma ainda assim não desiste, pois lança as suas kattar contra o adversário…mas não o atinge. Hao aproxima-se dele e diz:



- Não tens honra nenhuma! – e aplicando outro golpe, coloca o maxilar no sítio e Ghrishma desmaia.



- E Hao Fang é o vencedor! Amanhã teremos a outra meia Final! – exclama o árbitro, perante o olhar furioso de X.



Ghrishma estava irritado, não com o seu oponente, mas consigo mesmo. Dera tudo o que podia…porque não conseguira? Levantando-se a cambalear, Ghrishma sai da arena perante aplausos e apupos do público. Arun vai ter com ele e ajuda-o, levando-o para a sala de reuniões. X vai lá ter e furioso pergunta:



- Afinal o que se passou? Era suposto teres vencido o combate! O que aconteceu?



Ghrishma baixa a cabeça e fazendo uma vénia, diz:



- Mestre, desculpe-me…aquele Hao não é um lutador vulgar…há qualquer coisa nos seus ataques, na sua força…na sua energia…



Ao ouvir isto, X percebera finalmente o porquê de sentir que o Hao era alguém invulgar! Não havia dúvidas! Virando-se para os seus guerreiros, X declara:



- Não tinhas hipóteses Ghrishma! Se Hao for quem eu penso…interessante…



Ghrishma e Arun viram-se confusos para o seu mestre. Ghrishma pergunta:



- Há tanto tempo que trabalho para si…! Porque não me diz qual o motivo da sua vingança? Quem é o Katsumo, mestre? Porque o odeia tanto? E agora isto com o Hao…? Quem é ele?



Arun acena com a cabeça.



- Sim, de facto, é verdade mestre…nunca me disse o motivo de querer vingar-se do Katsumo…



X levanta-se e aproximando-se de um móvel, pega numa fotografia onde estão 2 rapazes.



- Estão a ver esta fotografia?



Ghrishma e Arun acenam com a cabeça.



- Sim, quem são eles?



X ri-se.



- Não reconhecem?



Ghrishma pega na fotografia e espantado, pergunta:



- Não me diga que…é o mestre?



Arun aproxima-se para ver melhor e diz:



- E o outro…só pode ser…o Katsumo?!



Virando costas, X aproxima-se de uma janela e responde:



- Assim é. Eu e o Katsumo fomos discípulos do mesmo Mestre. Vivíamos no mesmo dojo e treinávamos muito. Fomos grandes amigos…até que um dia…



[X recorda-se de um momento que ocorreu há muito tempo atrás]



- Katsumo! Eu desafio-te para um combate! Que vença o melhor! Quem vencer, fica a treinar com o nosso mestre! Assim, aprenderá as mais poderosas e secretas técnicas que ele nos pode ensinar!



Katsumo vira-se para ele e responde:



- Shinta*… eu não quero lutar contra ti! És um grande amigo…não tem lógica isso! Não quero!



[Shinta é o verdadeiro nome do X – Nota do Autor]



Shinta nega com a cabeça e diz:



- Não! Tem de ser assim! É justo! É uma questão de honra! O que perder, vai-se embora, ouviste? Não há espaço neste dojo para nós os 2…!



Katsumo levanta-se e olhando triste para Shinta, pergunta:



- Queres mesmo…fazer isto?



O velho mestre dos dois rapazes apareceu e com um sorriso enigmático, observava o ambiente entre os seus pupilos. Suspirando levemente, pensou:



- “Não vale a pena Katsumo…o coração de Shinta está mergulhado no domínio total, no sentir-se superior aos outros…prevejo um futuro terrível para ele…quem me dera poder fazer algo mais por vocês…”



Shinta aproxima-se de Katsumo:



- Estou à espera! Não lutas? Pois bem, começo eu então!



O mestre dos miúdos abre os olhos e exclama:



- Katsumo! Enfrenta-o! Defende-te, senão não terás hipóteses!



Katsumo sorria triste. Não queria nada fazer aquilo…



Shinta começou a rir-se feliz! Estava quase a ganhar!



- Estás triste Katsumo? Provei que sou o mais forte! Desiste e vai-te embora!



Katsumo responde, determinado:



- A luta ainda não acabou, Shinta! Eu não queria fazer isto, mas não me deixas alternativa…Prepara-te!



Shinta mostra-se surpreso! Katsumo riposta e passado algum tempo…



- Aiiiii! Hummmm…aiiii…! – grita Shinta, um bocado magoado.



Katsumo aproxima-se dele e tenta ajudá-lo a levantar-se.



- Desculpa…



Shinta levanta-se sozinho dando um safanão na mão de Katsumo.



- Deixa-me! Tu venceste! Amanhã eu vou-me embora…tu venceste…



No dia seguinte…



- Mestre, a sua bênção… - sussurra Shinta, ajoelhando-se perante o seu mestre.



O mestre sorri e diz:



- Podes ficar connosco, Shinta…eu perdoo-te…



Shinta vira costas, dizendo:



- Não…eu já me decidi mestre…Adeus…



Shinta sai a chorar e a correr, mas esconde-se atrás de uns arbustos e escuta a conversa que se segue entre o seu antigo mestre e Katsumo.



- Shinta! Shinta! – Katsumo começa a chorar e a gritar pelo seu velho amigo.



- Não vale a pena Katsumo…o coração do Shinta está dividido! Espero que ele tenha a sorte de encontrar o bom caminho… - responde o mestre.



- Mas porquê mestre? Porquê que ele é assim? – pergunta Katsumo.



- Sabes Katsumo… Quando lutas, combates de corpo e alma, porque és genuíno. O Shinta procura sempre ficar mais forte, mas pelos motivos errados. Isso deve-se aos abusos de que foi vítima…oxalá os espíritos bons o acompanhem e iluminem…!



Katsumo limpa os olhos e após alguns minutos em silêncio, diz:



- Mestre, decidi que também eu vou partir! Novos desafios me aguardam! Um dia voltarei para aprender novas técnicas e lhe agradecer por tudo!



O velho mestre sorriu e fazendo uma vénia a Katsumo, remata:



- Não é preciso, Katsumo! Basta que uses a tua força e os teus dons naturais de combate! Serás sempre bem-vindo ao meu dojo!



- E foi assim…o Katsumo foi-se embora e também partiu, sempre com a esperança de me reencontrar… - remata Shinta. Virando costas a Arun e Ghrishma, coloca a fotografia numa gaveta e fecha-a.



Ghrishma olha muito espantado para Arun e exclama:



- Possa! Que história incrível! Podia dar um filme…!



Shinta olha para os seus súbditos e diz:



- Pois bem, agora já sabem…quanto ao Hao Fang, eu vou tratar dele também… Arun, vai treinar com o Ghrishma…quero ficar sozinho…




[Continua…]


A Vingança! Capítulo 6 


~ A Caminho das Meias Finais! [Parte 2]



Hao Fang começa-se a rir:



- Ah ah ah ah! Vê-se logo que ainda estás muito verde meu amigo! O hospital para onde o Abel foi deve ser a morgue, isto se teve a sorte de chegar até lá….



- A sério? Porquê? – pergunta Katsumo.



Hao Fang limitou-se a sorrir enigmaticamente, fechando os olhos. Katsumo não queria acreditar que pudesse estar a acontecer tamanhas coisas por ali. É certo que havia um ambiente hostil e traiçoeiro, mas daí ao que Hao sugeria…ia uma longa distância! Vendo a expressão de Katsumo, Hao explica:



- Olha Katsumo, as coisas estão a começar a ficar feias. Nada do que está a acontecer é por acaso…O Ghrishma, por exemplo, é o Guarda-Costas de X. Ele é um assassino profissional que trabalha há já algum tempo para o X e para a organização que este controla. X é um ser terrível, mais temível que o Arun e o Ghrishma juntos…e não me admira nada que depois das cenas que o Abel fez na apresentação do torneio, que o X o tenha mandado eliminar…



Katsumo recordou-se das sucessivas interrupções que Abel provocara no discurso de abertura do evento. Da forma como X se irritara e colocara toda a gente calada num segundo. Seria possível que Hao Fang estivesse correcto? Se assim fosse, teria Leonard William sido vítima da mesma situação, perdendo contra um dos capangas de X? A ser verdade, uma enorme conspiração estaria a desenrolar-se ali mesmo…e Katsumo não gostou nada dessa sensação de pavor que lhe tomou o peito.



- Sendo assim… - começou ele – Quem és tu Hao Fang? Como é que tu sabes tanta coisa? – replicou Katsumo, levemente assustado.



Hao sorriu amavelmente.



- Por favor meu amigo, não tenhas receio. Eu sei que és bom rapaz e tens um coração puro. É por isso mesmo que te estou a contar estas coisas, pois não quero que percas essas qualidades. Eu lamento muito não te revelar tudo agora, mas se o fizer, tu começarás a agir exactamente da forma que X espera de pessoas como tu. Por isso, peço-te que tenhas paciência. Mantém-te tranquilo e com o teu espírito em paz. Quando chegar a hora certa, tudo ser-te-á revelado. Vá, vamos assistir aos combates! – remata Hao.



Entretanto, na arena, o árbitro declara Ghrishma vencedor, embora o público estivesse dividido: uns assobiavam e outros lançavam apupos, para grande irritação deste.



- Argh! Malditos! Malditos idiotas! – resmunga Ghrishma, completamente irado.



X e Arun aproximam-se dele e Ghrishma ajoelha-se de imediato. X toca-lhe no ombro e diz:



- Ghrishma, Ghrishma! Tem calma! Eu achei que lutaste muito bem! Fizeste bem em usares as tuas habilidades…caso contrário, eu teria que intervir…e sabes muito bem que isso tem um custo…



- Obrigado pela confiança mestre! Peço desculpas por ter demorado tanto! Eu… - replicou Ghrishma, mas X interrompeu-o, dizendo:



- Não importa! Esquece isso! Vamos assistir ao combate do Arun contra Shian!



O público rejubila com o anúncio de novo combate. Arun estava impaciente. Já faltava pouco para defrontar Katsumo, o seu grande objectivo. Era por isso que aceitara trabalhar para X e ser seu servo. Felizmente, isso estava quase a terminar. Mal podia esperar para partir! Assim que concretizasse a sua vingança…ele seria novamente um homem livre! Arun dirige-se para a arena, pensando insatisfeito:



- “Hunf…vou ter de lutar contra uma miúda? Ao ponto que eu cheguei…O que tu me fazes passar, para me poder defrontar contigo novamente, Katsumo Hoshi!”



Shian já estava na arena. Parecia completamente desligada daquele ambiente, com os olhos azuis desfocados. Devia ser a concorrente mais nova que estava ali. Não teria mais do que 20 anos. Envergando um elegante fato de haikido, muitos homens entre o público assobiavam e agitavam maços de notas a olhar para ela. Não era à toa que ela se vestira assim. Além de lhe permitir alterar o estado de espírito dos oponentes, ela podia assim mover-se mais à vontade para aplicar os seus golpes.



- Ammm….Hummmm…Zumm…Hummmm….Arun, estás pronto? – pergunta ela, virando-se para ele e assumindo posição de combate.



Dong, dong, dong!



Arun sorri e começa o combate! Ele cruza os braços e fica a aguardar que a sua pequena oponente ataque. Por outro lado, Shian coloca-se de frente para ele, sem se mover também! Espantado, Arun pergunta:



- Então, não atacas? Que raio de estilo é esse?



Shian responde:



- Eu sou praticante de Haikido. Só ataco quando tu atacares. Só posso responder aos teus golpes, já que a minha arte é defensiva…



Arun exclama indignado:



- Então…defende isto!!!



Com um salto, Arun parte em direcção a ela, aplicando-lhe uma valente joelhada no peito. Shian esquiva-se e toca na ponta da testa de Arun, fazendo-o desequilibrar-se e caindo de costas no chão e batendo com a cabeça. Ele levanta-se como se nada tivesse acontecido.



Shian regressa à sua posição de combate, impávida e serena. Arun lança um soco direito rápido e ela agarra-o pelo braço e impulsionada pela força bruta, atira-o ao chão. Ele volta a levantar-se e aplica-lhe um dos seus fortes pontapés médios, mas Shian esquiva-se, agachando-se. Ela aproveita aquele centésimo de segundo e agarra o tornozelo esquerdo de Arun, fazendo-o dar uma pirueta no ar e caindo de seguida.    



O público fica em êxtase com aquilo! Quem diria? A dada altura, X ri-se malévolo para Ghrishma.



Arun levanta-se pela 3ª vez. Suspira e tenta relaxar. Aproxima-se de Shian. Quando está bastante próximo, agarra-a com as duas mãos no pescoço, lentamente. Ela tenta tirar os braços dele dali, mas quanto mais tenta, pior, já que mais força ele aplica no pescoço dela. Levantando-a, Arun desfere-lhe uma joelhada nas costelas, partindo-as de imediato. Shian cai inanimada, já sem vida! O árbitro aproxima-se, sem acreditar no que vira! Como fora possível? Arun fora tão rápido e implacável! Após uma cuidada análise juntos de alguns enfermeiros, o árbitro levanta-se e pegando no microfone, diz:



- …….bem….Shian…não sobreviveu…..!



O público que se mantivera em silêncio expectante, começou a gritar e a berrar! Se alguns se mostravam horrorizados, grande parte deles mostrava-se contente e satisfeito! Arun começou a rir-se orgulhoso, enquanto abandonava a arena. Aproximando-se de X, este mostrou-se bastante satisfeito, elogiando-o:



- É assim mesmo Arun! Muito bem!



Katsumo estava chocado! Como era possível que Arun tivesse tirado a vida a uma rapariga tão bonita? E tudo a troco de quê? Lágrimas de raiva e de dor caíam-lhe pelo rosto. Afastou-se dali, para que ninguém se apercebesse do que ele estava a sentir. Uma grande raiva tomara conta de si. Só lhe apetecia bater em todos aqueles seres, selvagens, que se mostravam tão felizes com a morte de uma rapariga inocente e talentosa. Hao aproxima-se dele e coloca-lhe a mão no ombro:



- Arun está mesmo excitado com os combates….isso não é um bom sinal… - começou ele.



- Pobre Shian! Não merecia aquilo! Aquele maldito Arun há-de pagá-las! - replicou Katsumo, cheio de raiva.



- Acalma-te! Ficar assim não vai trazer Shian de volta à vida, tu sabes disso! – exclama Hao, já começando a perder a paciência.



- Como podes ser tão frio, Hao? – resmunga Katsumo, chorando.



- Olha…ninguém lamenta mais a morte de Shian do que eu…Tenho a certeza que X só fez aquilo para me provocar e deixar mais furioso! – responde Hao.



Katsumo suspira e senta-se numa janela a olhar o horizonte. O seu combate era o próximo, mas ele não estava com cabeça.  A rapariga tinha um olhar tão doce e inocente… quantos inocentes iriam sofrer assim até ao final daquele torneio? Pensando nisso, levantou-se e seguiu para a arena, não sem antes Hao o interromper os pensamentos.



- Tchi-tchan-ma-nei*, Katsumo! – declara Hao.



[* Boa Sorte! – Nota do Autor]



Os dois concorrentes, Katsumo e Nagashi Li, um senhor já de uma certa idade, aproximam-se da arena de combate e entrando, recebem a ovação do árbitro e do público!



- E o 4º combate dos quartos-de-final vai agora ter início! Este combate opõe Katsumo a Nagashi! Qual dos dois irá vencer? – pergunta o árbitro.



Dong, dong, dong!



Katsumo olha para o seu oponente e colocando-se em posição de combate, pensa:



- “Espero não magoar muito este homem!”



Nagashi Li coloca-se em posição de combate e pensa:



- “Realmente, o rapaz usa a mesma técnica que o avô. Vou ter que ser cauteloso!”



Katsumo parte contra o seu adversário, começando por deferir um soco forte com a mão esquerda, seguido de um murro com a mão direita. Nagashi esquiva-se, defendendo os golpes, e responde com um soco abaixo da axila direita.Fica surpreso por ver que Katsumo não reage à dor. Naquele instante em que estava com o soco na axila deste, Katsumo responde com uma violenta cotovelada em direcção ao queixo de Nagashi. Atinge-o em cheio, fazendo-o recuar um pouco. Katsumo lança um pontapé alto à cara de Nagashi, fazendo-o recuar ainda mais.



A dada altura, Katsumo vira-se para Nagashi e sorrindo diz:



- O senhor não se desembaraça nada mal! Estou a gostar!



Nagashi sorri e responde:



- E tu também não meu rapaz, e tu também não! O teu avô deve estar muito orgulhoso de ti!



- Conheceu o meu avô? – pergunta Katsumo, bastante surpreso!



- Sim, eu fui aluno dele quando era jovem! Ele era bastante talentoso! Tal como tu! – respondeu Nagashi, bastante satisfeito. – Mas agora, meu jovem amigo, é hora de passarmos a coisas sérias… prepara-te Katsumo! – declarou ele, recomeçando o combate.



Nagashi muda de posição de combate, parecendo mais destemido. Katsumo prepara-se para lançar um pontapé médio lateral, mas Nagashi inclina-se para trás e agarrando o pé, puxa-o, colocando-o todo esticado no chão. Aproveitando-se disso, Nagashi aplica a palma da mão direita no peito e com as costas da outra mão, atinge Katsumo em cheio no nariz. Katsumo levanta-se e sente o sangue a escorrer pelo nariz. O velho era experiente! Limpando o sangue, Katsumo começa a imaginar como poderá derrotar aquele homem. Ele aproxima-se de Nagashi, dando-lhe um pontapé direito. Nagashi defende-se. Katsumo vai com o punho esquerdo mas Nagashi defende-se, desviando o golpe com a mão direita. Katsumo sabendo que ele gosta de desviar os golpes com as mãos, agarra-lhe o braço, puxa-o com toda a força e dá-lhe uma joelhada nas costelas com toda a força, não largando a sua presa. Para finalizar, aplica-lhe uma cotovelada na cabeça, fazendo Nagashi cair inconsciente.      



- Oh não! Espero não ter morto o velho! – exclamou Katsumo, bastante atrapalhado!



Dong, dong, dong!



Katsumo Hoshi é o vencedor! – declara o árbitro. O público grita entusiasmado enquanto Katsumo ajuda Nagashi a levantar-se.



- Desculpe se o magoei… - sussurra ao velho combatente. Este vira-se para ele e começando a rir-se, diz:



- Ah ah ah ah ah! Parabéns Katsumo! Eu não estava à tua altura desde o início do combate. Não há

dúvidas, o teu avô deve estar muito feliz e orgulhoso de ti!



- Hã…sabe…o meu avô já morreu há alguns anos atrás… - replicou Katsumo.



- Lamento imenso, meu jovem…



Katsumo abraçou-se ao velho Nagashi Li e sorrindo, respondeu:



- Olhe que para um senhor da sua idade, não se desembaraça nada mal! Os meus sinceros parabéns! Estou a falar a sério!



- Obrigado meu filho! É muito bom ouvir esses elogios! – Nagashi abraça-se emocionado a Katsumo.



- Um gesto de desportivismo entre os dois lutadores! Parabéns! – declara o árbitro, começando a bater palmas, seguido do público e por último de X e seus capangas.



Mais tarde…



- O Katsumo tem treinado arduamente. Ele nem usou ¼ do seu poder neste combate. Também outra coisa não seria de esperar… - afirma X, sentando-se no seu cadeirão, enquanto Ghrishma lhe enche um copo de vinho.



- A sério? – perguntam Ghrishma e Arun ao mesmo tempo.



- Isto está a ficar interessante… - X pega no copo e saboreia o vinho perante o olhar curioso dos seus súbditos. Ghrishma aproxima-se e sorrindo pergunta:



- Mestre, quem é que eu vou ter o prazer de matar na próxima eliminatória?



X olha para ele e fungando, responde:



- Ninguém meu caro Ghrishma. Tu não vais matar ninguém.



- Senhor, eu…?



- Silêncio! És o primeiro a ouvir e o último a falar! – resmunga X.



Arun começa a rir-se, fazendo troça.



- O que eu disse ao Ghrishma, também se aplica a ti!



Ghrishma começa a rir-se e a fazer caretas a Arun e este coloca-se em posição de combate. X levanta-se irritado e dando um berro, responde:



- Calem-se! Como eu estava a dizer, tu não vais matar ninguém, uma vez que será Arun a matar!



X aproxima-se de um quadro e começa a explicar, apontando para lá:



- Este é o calendário da próxima eliminatória:




½ Finais Torneio X





Katsumo Hoshi  VS   Arun Boonsong


Ghrishma Gonzaléz  VS  Hao Fang



- Vá, eu vou tomar um banho. Vocês os dois, toca a treinar! Mwa ah ah ah! – X vira costas e deixa os seus capangas a olharem um para o outro, perguntando-se o que estaria o seu mestre a tramar…  




[Continua...]


A Vingança! Capítulo 5 ~ A caminho das meias finais! [Parte 1]



No dia seguinte...



- Senhor Hao! Senhor Hao! Já sabe da novidade? - perguntei.



Hao tinha partido num passeio matinal e regressara já o sol se tinha posto. Virando-se para mim, pergunta:



- Novidade?



- Foi o Abel Santos, também conhecido por Michael Blein! Ele teve um ataque cardíaco! Levaram-no para o hospital durante a noite! - respondi.



- A sério? O rapaz teve mesmo azar...! - Hao suspirou triste.



- Devíamos ir visitá-lo ao hospital... não acha? - perguntei.



- Devíamos? Porque dizes isso? O problema é dele, não nosso! - respondeu Hao.



Fiquei chocado! Quanta frieza!



- Possa...! Se fosse contigo...!



Hao olhou para mim nos olhos, como que a avaliar-me. Sorrindo levemente, respondeu:



- Não me julgues mal meu caro amigo! Apenas deves não te precipitar nas tuas decisões! Já devias saber que aqui corremos perigo! Qualquer passo em falso pode ser fatal! O Abel... - e aqui Hao calou-se e virou costas.



Após alguma hesitação, rematou:



- Vamos aguardar! Isto pode ser mais complicado do que parece... Acima de tudo, mantém-te vigilante e treina o mais que puderes, mas respeita o teu corpo e os teus limites!



Acenando com a cabeça, assim fiz. Durante os dias seguintes, eu e o Hao mal nos vimos. Saíamos logo cedo, com os primeiros raios de sol, partindo para treinar nas encostas e nas florestas. Regressávamos já a noite caía, e durante o pouco tempo que estávamos no quarto, Hao mantinha-se a fazer meditação ou a descansar o corpo. E assim se passou a semana...até que chega o dia em que começa o torneio. X apresenta-se mais imponente que nunca. Com a máscara a cobrir o seu rosto, trazia um fato preto, com uma gravata azul noite. Com o seu habitual toque de mistério, aproximou-se do palco para fazer o discurso:



- Olá a todos! Vou ser breve em palavras! Espero que este torneio seja o mais fantástico a que já assistimos! Boa sorte a todos! Que vença o melhor! Mwa ah ah ah!



Toda a gente bate palmas e ovaciona-o. X prossegue:



- Meus senhores e minhas senhoras, este é o árbitro do evento! Uma salva de palmas para ele!



O púbico e os lutadores batem palmas. Um senhor com ar bastante inteligente sobe ao palco. Vestindo uma camisa às riscas e umas calças escuras, parecia ser um homem completamente vulgar. Pegando no apito que tinha ao peito, apresenta-se:



- Olá a todos! Espero que os artistas nos proporcionem um bom espectáculo! Apesar das regras criadas para este evento, o importante é vocês darem o vosso melhor, mas respeitem também os vossos adversários! Valorizem a vida e o “fair play”! E agora, eis a lista! Os lutadores deverão agrupar-se nos seguintes grupos, de onde se destacam os seguintes nomes:




Katsumo Hoshi - Grupo 1


Nagashi Li – Grupo 5


Arun Boonsong – Grupo 3  


Grishma Gonzaléz - Grupo 2


Shian Fu – Grupo 6


Leonard William – Grupo 7


Hao Fang – Grupo 4


Mike Field – Grupo 8



- Quanto aos restantes lutadores, por favor confirmem as vossas presenças aqui na lista! O torneio começa daqui a meia hora! Nesta primeira fase, todos os lutadores combaterão no máximo 25 minutos! Os que se aguentarem de pé ao fim desse tempo, serão classificados para a fase seguinte!



E assim se passaram três dias de intensos combates. Ao início do 4º dia...



- Hoje é um dia muito importante! Vamos assistir aos combates dos 8 melhores lutadores do Mundo! Uma grande salva de palma para todos eles! - exclama X.



As pessoas e o público levantam-se e aplaudem de pé, algumas em euforia! Era uma grande vitória já ter chegado até ali, visto que as eliminatórias tinham sido bastante difíceis!



- E agora, o que todos esperam saber! Venha daí o quadro com os próximos combates deste torneio!



Público e lutadores aguardam em suspense...e o árbitro expõe o quadro com os resultados:




Torneio X – ¼ Final





Nagashi Li VS Katsumo Hoshi


Ghrishma Fernandéz VS Leonard William


Mike Field VS Hao Fang


Arun Boonsong VS Shian Fu



- Quis o sorteio que o primeiro combate desta ronda seja entre Mike Field e Hao Fang! - remata o árbitro, chamando os combatentes para virem à arena de combate.



O público bate palmas e começa-se a ouvir apupos e assobios. Alguns torciam por Mike, outros por Hao. As apostas ilegais também começaram a agitar-se e alguns mafiosos debatiam sobre quem iria ganhar.



- Fiiiiuuuuuuuu!! Hao! Hao! Mike! Hao! Mike!



Cumprimentei o Hao sorrindo para ele:



- Vai com calma! Este homem parece ser fácil!



Hao olha para mim e diz:  



- Meu amigo, já devias saber que as aparências iludem. Mas tens razão, eu já sei como lidar como lidar com ele...



O árbitro aproxima-se do microfone e diz:



- Mike Field! Hao Fang! Aos vossos lugares!



- “Que este combate seja um bom combate!” - pensa Hao, fazendo uma vénia ao seu oponente.

Ding, ding, ding!!



- Que comece o combate! - declara o árbitro.



Mike Field era um homem grande e bastante corpulento. Cheio de músculos, era um lutador de boxe, a julgar pelo tamanho descomunal dos seus braços. Olhando para Hao, ri-se com ar animalesco e diz:



- Prepara-te para morrer, minorca! Iaaaaaaaaaahhhhhh!!!! - e numa velocidade estonteante para um homem tão musculado, estica o braço direito e dá um bruto murro na direcção da cara de Hao.



- Nada mau - responde Hao , esquivando-se levemente surpreso.  Aquele golpe fora muito rápido!



- Hao! – exclamei assustado!



Hao aplica um pontapé nas pernas de Mike Field, fazendo-o cair. Como o seu corpo era bastante massivo, não era fácil de o atingir. No entanto, a sua fraqueza residiria nas pernas, que estavam bem menos desenvoltas que os braços e peitorais. O árbitro prossegue com o relato:



- Mike Field caiu! Com um simples golpe nas pernas.



O boxer levantou-se com bastante dificuldade, pois ficara lesionado na perna esquerda. Enraivecido, lançou-se de novo contra o seu adversário, repetindo o anterior golpe. Hao esquiva-se novamente. Hao lança a palma da mão contra a base do queixo de Mike e este perde os sentidos com o impacto!



- E já temos um vencedor! Hao Fang! – exclama o árbitro, impressionado.



O público começa a bater palmas e a ovacionar Hao, tinha sido um bom combate! X vira costas e sussurra:



- Hummmm…aquele fedelho não se desembaraça nada mal. Tenho que ter cuidado com ele! Há qualquer coisa que não me agrada naquele olhar…



Katsumo aproxima-se de Hao para o felicitar:



- Parabéns! Foi um belo combate!



- Ora essa! Foi um combate normal! Mas não aja dúvidas que ele tinha uns belos punhos! Se treinar mais uns anos, vai chegar longe! – respondeu Hao.



X regressa ao palco:



- E agora, minhas senhoras, meus senhores, vamos passar ao próximo combate! Ghrishma e Leonard!



Com um sorriso sarcástico, Leonard William exclama:



- Eh pá! Que grande luck que eu tenho! Vou lutar contra um girly?



- O quê? – pergunta Ghrishma ao fazer a sua habitual vénia.



Dong, dong, dong!



- Então espera lutar contra uma menina, senhor William? – murmura Ghrishma, com o seu sorriso a dar lugar a um simples esgar.



Leonard salta para dentro da arena e começa a levantar os braços e a atiçar o público a gritar o seu nome. Adorava aquilo. O som dos aplausos, a excitação do público…ele vibrava com isso. Olhando para o seu oponente, ele pergunta:



- Então pá? Não me queres bater? Não és “macho” o suficiente?



O público começou a rir-se e a assobiar. Ghrishma respirou fundo. Se aquele homem soubesse o quanto ele estava a ficar irritado com a palhaçada… Mas não lhe ia dar esse prazer. Respirou fundo mais algumas vezes, ajeitando o cabelo. Com um ar sério, sorriu…e de repente…



- Chega! Leonard…!  - gritou Ghrishma, avançando veloz contra o seu oponente.



Leonard apercebe-se da velocidade do seu oponente e tenta dar-lhe uma sequência de socos rápidos para o interceptar. Ghrishma pára, apercebendo-se da força e velocidade dos socos. Ele começa a recuar para trás, pensando noutras alternativas de atacar o oponente. Leonard aproxima-se e dá um pontapé médio, a grande velocidade, perdendo rapidamente o equilíbrio. Ao pousar o pé…Ghrishma aproveita-se e dá-lhe um pontapé nos genitais!  



O público gritou um sonoro:



- “OOOOOHHHHH!”



Toda a gente ficou espantada com a rapidez de movimentos de ambos os lutadores e agora Leonard estava agachado, cheio de dores. Ghrishma aproveita-se da situação, salta para as costas de Leonard e envolvendo as pernas à volta do pescoço, começou a rir-se.



- “Afinal tanta fanfarronice para nada!” – exclamou.



E no segundo seguinte… Ghrishma partiu o pescoço a Leonard William.



O público inicialmente ficou em silêncio. X move-se no cadeirão satisfeito. Toda a gente se levanta espantada! O público começa discutir entre si! O que teria acontecido para acontecer aquela súbita mudança de ambiente? Katsumo vira-se para Hao e exclama:



- Como é possível?



Hao olha para Katsumo com um ar paternal. Apesar de serem quase da mesma idade, era óbvio que Katsumo mantinha o seu coração bastante puro, o que noutras circunstâncias podia ser positivo, mas não naquele ambiente hostil onde se encontravam. Se Katsumo esperava chegar mais longe, tinha de começar a pensar mais com a cabeça e menos com o coração. Baixando o tom de voz, ele respondeu:



- O Ghrishma é um adversário terrível. Ele é conhecido como o “Relâmpago do Oriente”, devido à sua agilidade e rapidez.



- A sério? Ele parece um cordeirinho…Até andava a fazer olhinhos ao Leonard, daí o gozo dele! – ironizou Katsumo.



- Eu sei que tu sabes que ele é mais forte do que aparenta, Katsumo. Estás a querer desafiar-me, ao avaliares os meus julgamentos sobre os lutadores e fazes tu muito bem. Mas, falta-te um pouco mais de prática... Sinceramente, o que achas que aconteceu ao outro rapaz, o Abel Santos, mais conhecido por Michael Blein? – pergunta Hao, enquanto bebiam um chá.



Katsumo mostra-se surpreso com o discurso e pergunta:



- Ele teve um ataque cardíaco, não foi? Devíamos ir mas é visitá-lo ao hospital!




[Continua...]


A Vingança! ~ Capítulo 4: 


Encontro de Guerreiros! Que comece o torneio!



O tempo vai passando e algumas semanas mais tarde, todos os convidados para o torneio desembarcam no seu destino, uma ilha na Tailândia. Muitas pessoas foram convidadas para assistir ao evento, dentro das máfias de vários países. Quem sabe se não encontrariam ali os guarda-costas, os assassinos certos? Afinal, todos os participantes estão ansiosos por mostrar o que valem e claro, vencer! Reunidos todos os guerreiros numa arena enorme, o misterioso X aparece, com a máscara colocada e apresenta-se como organizador do torneio. Como seria de esperar, apresenta um discurso de abertura para dar início ao evento:



- Errr...Hummm...Meus senhores, minhas senhoras, caro público... queria começar por vos dar as boas vindas! Apraz-me muito saber que tantas pessoas vieram para participar e assistir a este torneio! Quero que saibam que estou muito contente por ver que todos os participantes aceitaram o meu convite, de participar neste magnífico espectáculo!



Abel levanta-se e rindo-se, pergunta:



- Tudo muito bonito! Mas... e quanto dinheiro que vamos ganhar?



X vira-se para ele aborrecido. Detestava que o interrompessem. Tentando controlar a sua irritação, responde:



- Já lá vamos senhor Abel Santos! Já lá vamos! Agradecia que me deixasse acabar de falar...



William levanta-se e entrando no jogo de Abel, pergunta:



- E as miúdas? Prometeram-me umas girls!!



X pigarrea e diz:



- Eu volto a repetir...CALMA!!



Toda a gente dá um salto de repente, tal foi o impacto daquele vozeirão irritado. Recompondo-se, X prossegue:



- Muito bem! Agora que os ânimos serenaram, vamos lá então às regras do torneio:



1ª - Todos os golpes são permitidos!



Ao ouvirem aquilo, muitas pessoas viram-se para o lado a sussurrar baixinho, como abelhas zangadas. Um torneio onde todos os golpes eram permitidos por um lado era bom, mas era perigoso também! As coisas podiam correr para o torto...



X senta-se na sua poltrona e esperando que os ânimos voltassem a serenar, fecha os olhos, controlando a sua fúria para não dar cabo daquilo mesmo antes de começar. Afinal tinha esperado tanto tempo...já não faltava muito...



- Meus amigos, isto aqui é um torneio a sério! Estão aqui pessoas muito importantes a assistir! Vocês já estão a fazer dinheiro ainda antes de começarem! Se alguém pretende desistir agora, porque não se acha forte o suficiente para embarcar neste desafio, por favor faça-o agora! - exclama X.



De imediato, 42 lutadores levantam-se. Olhando para eles com desprezo, X aproxima-se deles e virando-se para o público, afirma:



- Muito bem! Como prova de que não guardo rancores, gostaria que ficassem cá e assistissem ao evento! Espero que possam aproveitar bem esta oportunidade para improvisarem os vossos dotes de combatentes!



- Sim! Sim! Viva! Viva X! - exclamam felizes os 42 desistentes e muitas pessoas do público.



Obrigado senhores e senhoras, obrigado! Continuando com as regras, as restantes são as seguintes:



2ª- Durante um combate, se quiserem, podem desistir! Para tal, basta que digam em voz alta: MAT-TE!



E a última regra, mas não menos importante, é esta:



3ª – Eu disse que de início todos os golpes eram permitidos. O que ainda não vos disse é que se quiserem, podem eliminar o vosso adversário....!



Os lutadores e o público começaram a exclamar em uníssono um sonoro:



- “Ohhh! A sério?”



Katsumo levanta-se indignado e diz:



- Fogo! Que loucura!



Algumas pessoas e lutadores começaram a rir-se satisfeitos. Para eles tanto fazia se os seus oponentes ficavam vivos ou não. E entre o público alguns espectadores seguiam o exemplo, aplaudindo a ideia. X pediu silêncio e rematou:



- Ora bem, eu penso que está tudo dito! Alguém tem alguma coisa a dizer ou posso dar por encerrado este nosso primeiro encontro?



Abel responde:



- Eu tenho! Quanto vai receber o vencedor do torneio?



X entrelaça os dedos e após um momento de suspense...



- O vencedor do torneio, além do troféu e do título, receberá um prémio monetário de....2 milhões de euros! - exclama X, satisfeito!



Toda a gente se levantou empolgada a assobiar:



- Fiúúúúúúúúú!! Que grande prémio!



- Muito bem! Eu sabia que vocês iriam ficar contentes! Como estão a ver, vale a pena participarem no torneio! Quanto ao evento, ele começa daqui a uma semana! Treinem muito, pois vão precisar! Mwa ah ah ah!! - remata X, despedindo-se das pessoas.



Toda a gente fica por ali, a bater palmas e a conversar com outros participantes, enquanto X vira costas e se vai embora a rir.



- O vencedor serei eu...Mwa ah ah ah! - sussurra X, tirando a máscara.



Algum tempo mais tarde...eu decidi procurar o local onde ia ficar alojado. Os lutadores ficariam numa pousada em grupos de dois. Para lá me dirigi, iria ter como parceiro um homem chamado Hao Fang. Ao chegar ao quarto, bati à porta e aguardei. A porta abriu-se passado uns segundos.



- Ehrm...senhor Fang? - perguntei.



Hao Fang acena com a cabeça e responde:



- Sim sou eu. O que deseja?



- Bem, hummm...parece-me que vou ser o seu companheiro de quarto... - respondi, sorrindo timidamente.



Hao sorriu e abriu a porta do quarto, autorizando-me a entrar. O quarto era muito parecido com o que tenho em minha casa no Japão. O espaço não era grande, mas era acolhedor. Tinha um beliche a um canto, enquanto no outro canto tinha dois cadeirões à beira de uma pequena lareira e uma televisão. Uma pequena mesa de secretária em bambu [como todo o resto do mobiliário do quarto] completava o mesmo. Tinha uma casa de banho toda rodeada de azulejos azuis, que lhe davam um ar muito fresco. O nosso quarto tinha uma janela por onde podíamos ver toda a encosta do monte onde nos encontrávamos. Não fosse eu estar com um mau pressentimento e teria apreciado estar ali, a apreciar aquela bela paisagem. Pousei as minhas coisas e apresentei-me:



- Eu sou o Katsumo Hoshi! - apressei-me a dizer, envergonhado por não o ter feito mal entrei no quarto.



Hao começou a rir-se:



- Ahahahah! Sim, eu sei quem tu és! Achas que te deixava entrar assim sem saber o teu nome sequer? És o rapaz que venceu aquele torneio especial, que ocorreu aqui na Tailândia à uns anos atrás!



Surpreso, olhei para ele com maior atenção. Hao era mais velho que eu. Não devia ser muito mais velho, mas tinha todo o ar de já ser bem mais experiente do que eu. Sentia isso na sua presença. Ele era mais baixo do que eu. Tinha cabelo rapado. Não parecia ser forte, nem ter muitos músculos, pois era magro. Mas desde há muito que eu sabia que as aparências iludem...e não tardou muito para eu vir a saber isso. Quando comecei a desempacotar as coisas da minha mala, Hao começou a fazer o seu treino, tirando a t-shirt. Fiquei levemente surpreso. Tinha uns abdominais bem-feitos, totalmente delineados. As pernas eram musculosas e percebi que ele não era um lutador qualquer. Começou a fazer flexões com um braço atrás das costas e o outro apoiado em três dedos. Não resisti a perguntar:



- Se soube desse torneio, porque não participou? Tem todo o ar de ser um grande lutador!



Hao continuou o seu treino. Quando acabou aquele exercício, virou-se para mim e disse:



- Pela simples razão que aquele torneio era para apresentar novas promessas ao mundo das artes marciais! Eu não sou propriamente um novato nestas coisas, ah ah ah ah! Não deixa de ser uma honra partilhar a camarata com o campeão desse torneio!



Ri-me com gosto. Ele não parecia ser má pessoa! Troquei de roupa e vesti a que uso durante os treinos.



Virei-me para ele e agradeci:



- Obrigado senhor Hao! Você parece ser bastante bom lutador! É mestre?



Hao sorriu para mim e acenou com a cabeça, dizendo:



- Ninguém consegue ser mestre de 2500 anos de Kung Fu. Comecei a treinar desde muito pequeno, desde que comecei a dar os primeiros passos! Como não tenho família, fui adoptado por uns monges que me ensinaram o Shan Hi Ko, uma arte marcial ancestral...



- Nunca ouvi falar dessa arte! O que é? - perguntei.



Hao sentou-se a descansar um pouco e tirou uma garrafa de água do mini bar [havia um no móvel debaixo da televisão]. Depois de beber um pouco de água, respondeu:



- O Shan Hi Ko trata-se de uma arte de Kung Fu. É talvez a variante mais ancestral e pura dele. Nesta arte estudamos Medicina, temos um treino muito extensivo, que obriga a muita disciplina e dedicação. Demorei quase 30 anos a atingir o estatuto de Mestre mas estamos sempre a aprender!



Olhei para ele incrédulo!



- 30 anos?! Possa! Que idade tem o senhor?? - perguntei completamente abismado.



Ele riu-se e respondeu:



Eu tenho 35 anos! Quantos me davas? - inquiriu com um sorriso.



- Eu...bem...uns 30? Não achava que fosse muito mais velho que eu! E já é Mestre? Caramba, isso é impressionante! - afirmei, totalmente surpreso.



Hao aproximou-se de mim e disse:



- Pois bem, agora já sabes. E outra coisa: podes tratar-me por tu. Creio que vamos ser amigos! Então e tu? Fala-me um pouco sobre ti!



Sentei-me ao seu lado.



- Já sabe que me chamo Katsumo Hoshi. Venho do Japão. Lá treinei durante muitos anos, num dojo. Tenho um irmão, chamado Kaji. Não o vejo há alguns anos, embora tenha estado no Japão recentemente.. Gostava de o ter visitado, mas não tive oportunidade de o fazer...andava a treinar com o meu antigo Mestre. Já agora...o senhor o que acha deste torneio? É no mínimo invulgar, não é?







Hao levantou-se e foi contemplar a paisagem à janela. Fechou os olhos e deixou a brisa do vento bater no seu peito suado. Após alguns minutos em silêncio, onde apenas escutávamos os pássaros a cantar na encosta daquela floresta, ele respondeu:



- Bem, alguns deles são meus conhecidos, pelo menos de vista...já ouvi falar deles. Desconfio até que sei quem irá chegar até às meias-finais... Estão aqui oponentes muito fortes e experientes!



Espantado, perguntei:



- A sério? Quem? Quem é que vai conseguir chegar às meias-finais?



Hao voltou a fechar os olhos e suspirou. Virando-se para mim, olhou-me com profundidade. Tinha uns lindos olhos azuis glaciares. Com um ar misterioso, voltou costas e respondeu:



- Lamento meu amigo, mas não vou partilhar contigo...Se o que penso for realidade, acredita que vai haver sarilhos...



Entretanto, noutra camarata...



Abel estava muito feliz! Tinha ficado num quarto sozinho, pelo que podia estar completamente à vontade! Olhou-se ao espelho, enquanto dava um jeito ao cabelo. Pegou na pulseira arco-íris que Caim lhe havia deixado* e colocou-a no pulso. Estava perdido em pensamentos, quando bateram à porta:



* - [ver conto “O Turista” (Parte 2) – Nota do Autor]



- Senhor Santos? Estão aqui as meninas que pediu! E trazemos champanhe! - respondem várias vozes femininas.



Abel volta a olhar para o espelho, piscando o olho ao seu reflexo. Abrindo a porta, sorri satisfeito. Estavam ali 3 belas raparigas. Uma loira, uma morena e uma ruiva. Todas elas bem “apetrechadas”! As raparigas entram e Abel vai buscar o carrinho com as bebidas à porta.



- Mas que maravilha! - exclama Abel feliz.



Rapidamente as raparigas ajudam Abel a tirar as roupas e entre muita diversão e bebida, começam a acariciar-se e a festejar! Entre muita risota e galhofa, vão parar à banheira que enchem de espuma. A dada altura, Abel suspira:



- Hummm! Cheguei ao Paraíso! Gostava de ficar com vocês as 3 para sempre!



As raparigas olham umas para as outras e respondem:



- A sério? Isso pode-se arranjar! Adeus Abel ou Michael ou lá como te chamas! Dorme com os anjos!



Abel levanta-se de repente surpreso:



- O quê?



PAMMMM!!! - a ruiva dispara um tiro em cheio no peito de Abel.



- Nãoooo! Eu não posso morrer....ahhhhhhhhhhhhhh..... - Abel revira os olhos e um fio de sangue escorreu da sua boca.



As raparigas levantam-se da banheira satisfeitas.



- Eheheh! Bom trabalho! Este já teve o que merecia! Quem te mandou seres um arrogante e desrespeitares o Mestre? - afirmou a morena, dando um jeito ao cabelo com o secador.



- Mesmo! Quem o mandou ser um playboy de 3ª categoria? - respondeu a loira.



- Teve o final que merecia! Vá meninas, vamos embora! Conseguimos fazer na perfeição! Agora o Ghrishma que trate do resto! - respondeu a ruiva, que parecia ser a líder do grupo.



Pegando nas taças de champanhe, as três fizeram um brinde:



- À nossa meninas! Pelo fim dos playboyzecos de terceira categoria! - gritaram em uníssono, bebendo o champanhe e saindo do quarto.




[Continua...]




No próximo capítulo: A caminho das meias finais! 





Próxima 5ª feira, aqui no blog!